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terça-feira, 1 de novembro de 2011

Rorschach


Escrevendo o capítulo da disciplina da Sheila Murta:
Psicodiagnóstico de Rorschach na pesquisa em Psicologia Clínica
para entregar na sexta-feira

O objetivo é escrever um capítulo didático sobre alguma parte do delineamento de pesquisa em psicologia clínica. A característica didática deve manter em mente que se está ensinando uma outra pessoa a fazer uso desta parte do delineamento, conforme for o caso.


Escolhi descrever o uso que estou fazendo do Rorschach como psicodiagnóstico, também para me responder uma série de questões metodológicas.

Estou cada vez mais craque em responder o que é validade (interna e externa), fidedignidade (de item, de codificador, com formas alternativas, no teste-reteste), padronização e mais um monte de outros termos relativos à confiabilidade da metodologia. Cada vez mais também confiante de que meu mestre Rorschach iniciou os estudos em um dos métodos de pesquisa e psicodiagnóstico mais interessantes da psicologia.


Genial e lindo~~
quero ser como vc quando crescer

Escutando Octavianas ♥
Devagarzinho eu volto à rotina dos estudos. Cheia de esperança, incomodação e entusiasmo. Hipomaníaca e à beira de uma síncope. Como sempre~~



sábado, 8 de outubro de 2011

Foucault - Doença mental e psicologia (1975)


Foulcault argumenta, em seu Doença mental e psicologia (1975) que é possível que as confusões da psiquiatria quanto à loucura advenham do fato de que "se dá o mesmo sentido às noções de doença, de sintomas, de etiologia nas patologias mental e orgânica" (p. 5).
"Se se define a doença mental com os mesmos métodos conceituais que a doença orgânica, se se isolam e se se reúnem os sintomas psicológicos como os sintomas fisiológicos, é porque antes de tudo se considera a doença, mental ou orgânica, como uma essência natural manifestada por sintomas específicos. Entre estas duas formas de patologia, não há então unidade real , mas semente, e por intermediário destes dois postulados, um paralelismo abstrato" (p. 9)
"a doença seria alteração intrínseca da personalidade, desorganização interna de suas estruturas, desvio progressivo de seu desenvolvimento: só teria real idade e sentido no interior de uma personalidade estruturada. Neste sentido tentou-se definir as doenças mentais, segundo a amplitude das perturbações da personalidade, e dai chegou-se a distribuir as perturbações psíquicas em duas grandes categorias: as neuroses e as psicoses" (p. 9)
"A personal idade torna-se, assim, o elemento no qual se desenvolve a doença, e o critério que permite julgá-la; é ao mesmo tempo a realidade e a medida da doença" (p. 10).
"Quer suas designações primeiras sejam psicológi cas ou orgânicas, a doença concerniria de qualquer modo a si tuação global do indivíduo no mundo" (p. 11)

Impossibilidades de comparação entre a doença física e a doença mental:
Dialética das elações do indivíduo e seu meio
Instrumentais de análise das causalidades
Distinção entre normal e patológico

A doença mental não é somente a perda~
Cada doença, segundo sua gravidade, abole certas condutas que a sociedade em sua evolução tinha tor nado possíveis, e as substitui por formas arcaicas de comportamento" (p. 22)

O campo psi toma, pelo sintoma, toda a complexidade de uma existência histórica e social. Mesmo a partir da visão evolucionista da psicanálise clássica, não seriam somente os "doentes mentais" a fazerem uso de defesas mais primitivas quando a situação social promovesse um mal estar assaz mortífero. Sujeitos a isto são todos os seres humanos, por serem históricos tanto filogenética quanto ontogeneticamente. Todo o arcaboouço cultural e humano lhe é possível, a despeito (ou mediante) do que assevera a normatividade da civilização.
Isto posto, cumpre à psicopatologia crítica um olhar para além do sintoma.

PARA A PALESTRA:
"perdendo esta virtualidade ambígua do diálogo, e não mais apreendendo a palavra senão pela face esquemática que ela apresenta ao sujeito falante, o doente perde o domínio de seu universo simbólico; e o conjunto das palavras, dos signos, dos ritos, em resumo de tudo o que há de alusivo e referencial no mundo humano, cessa de integrar -se num sistema de equivalências significativas; as palavras e os gestos não constituem mais o domínio comum no qual se encontram as intenções de si próprio e dos outros, mas significações existindo por si mesmas, de uma existência maciça e inquietante; o sorriso não é mais a resposta banal a uma saudação cotidiana; é um acontecimento enigmático que nenhuma das equivalências simbólicas da pol idez pode reduzir; no horizonte do doente ele se destaca, então, como o símbolo de não se sabe que mistério, como a expressão de uma ironia que se cala e ameaça. O universo da perseguição brota de todos os lados" (P. 22)
MEDO DA LOUCURA: que significado oculto você encerra? Vazio preenchido por identificações projetivas e formulações paranoides.

"o critério social da verdade ("acreditar no que os outros crêem") não tem mais valor para o doente [FQu, P baixo, XA baixo, Dd alto] (...) [ele] "é remetido a formas arcaicas de crença, quando o homem primitivo não encontrava em sua sol idariedade com o outro ocritério da verdade, quando projetava seus desejos e temores em fantasmagorias que teciam com o real as meadas indissociáveis do sonho, da aparição, e do mito" (p. 23)
"Os processos infantis de metamorfose do real tem, então, uma utilidade: constituem uma fuga, uma maneira vantajosa de agir sobre o real, um modo mítico de transformação de si mesmo e dos outros. A regressão não é uma queda natural no passado; é uma fuga intencional fora do presente. É mais um recurso do que um retorno" (p. 29). Assim, pode ser feita uma compreensão menos apassivada dos sintomas psíquicos.
"Nunca a psicologia poderá dizer a verdade sobre a loucura, já que é esta que detém a verdade da psicologia (...). [A arte] promete ao homem que um dia, talvez, ele poderá encontrar-se livre de toda psicologia para o grande afrontamento trágico com a loucura" (p. 60)

No Rorschach, talvez a abordagem por agrupamentos e a compreensão estatística/psicanalítica dos dados permitam uma reflexão também da história do indivíduo e da maneira adaptativa que ele faz uso de suas defesas regredidas-patológicas (recursos outros para além do lado esq. da EB)

Foucault, M. (1975). Doença mental e psicologia. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro.

domingo, 18 de setembro de 2011

Rorschach

Citações sobre o método de Rorschach

WEINER, I. B. (2000). Princípios da Interpretação do Rorschach. São Paulo: Casa do Psicólogo.

O Método de Rorschach (RIM) "é (a) uma avaliação da estruturaçao cogitiva que envolve processos de atenção, percepção, memória, tomada de decisões e análise lógica; e (b) uma avaliação das imagens temáticas que envolve processos de associação, atribuição e simbolização" (p. 31)
"instrumento que apresenta características tanto objetivas quanto subjetivas, mede procesos tnto perceptivos quanto associativos e avalia apsectos da personalidade tanto estruturais quanto dinâmicos. (...) [é um método pultifacetado de coleta de dados (...), pesquisas demonstram a sólida base psicoétrica sobre a qual a avaliação éestá fundamentada" (prefácio)

Estrutura: "natureza do indivíduo, conforme definida por seus pesamentos e sentimentos atuais, que constituem estados da personalidade, suas disposiçoes ais permanentes de condizir-se de deterinadas maneiras, que constituem os traços da personalidade".
Dinâmica: "natureza da pessoa, conforme definida pelas necessidades, atitudes, conflitos e preocupações subjacentes que influenciam o modo como pensam sente e age de determinadas maneiras em momentos específicos e em circunstâncias particulares. A dinâmica da personalidade refere-se também ao modo pelo quais estados e traços do indivíduo podem interagir para influenciar-se mutuamente" (Weiner, 2000, p. 28)

Características psicométricas
"-profissionais reinados apresentam um grau de concordância satisfatório quanto à pontuação de suas variaveis
-estimativas do seu grau de fidedignidade indicam que fornece informações satsfatoiamente precisas, ou seja, que os resultados ojbetidos a partir dele tenham um variância de erro mínima e que sejam suficientemnte próximos dos valores reais ou verdadeiros
-seus corolários demonstrados identifiquem objetivos para os quais sejam suficientemente válidos" (p. 34)

"Quanto à descrição da personalidade, o RIM oferece uma base slidamente validade para descrever vários aspectos da estrutura da personalidade e uma rica fonte de hipóteses para a descrição de diversos aspectos da dinamcia da personalidade.
Quanto ao diagnóstico diferencial, o RIM demonstru sua contibuição para o diagnóstico de diversas condições que envolvem padões específicos do funcionamento da personalidade e apresenta potencial para facilitar o diagnpostico de qualquer condição que seja determinada por- ou contribuia para- características distintas da personalidade.
Quanto ao planejamento e avaliação do tratamento, o RIM oferece contribuições bem validadas para identificação de metas do tratamento e posíveis objstáculos para a evolução da psicoterapia, seleção das modalidades de tratamento recomendadas e acompanhamnto das mudanças e melhoras ao longo do tempo".
(p.35)

"as pesquisas bem planejadas continuam a confirmar a utilidade do RIM o sentido de permitir uma investigação válidade de características da personailidade e facilitar não só o diagnóstico diferencial, como também o planejamnto e avaliação do tratamento". (p. 36)

a aordagem empírica possibilita "confiar em dados quantitativos relativos à validade discriminativa e distribuição normativa das variáveis do Rorschach, permite que os clínicos diferenciem condições normais e anormais com segurnaça e que descrevam as características da personalidade com convicção. Assim as bases embíicas adequadas facilitam muito a utilização efetiva do RI na investigação da personalidade e, quanto mais os clínicos do Rorschach puderem confiar em dados concretos para documentar o rigor psicométrico de suas conclusões, mais aptos estarão a traduzir tais conclusões em aplicaçoes do instrumento efetivas e significativas" (p. 40).
"A abordagem conceitual à interpretação do Rorschach ajuda a superar as limitações de uma abordagem estritamente empírica aos dados e proporciona diretrizes úteis para a prática clínica e delineamento de pesquisa" (p. 41).

Estratégia de interpretação
Agrupamento das variáveis em módulos - "pontos em comum de determinadas variáveisestruturais n que se refere às funções da persnalidade que investigam. (...) A análise formal revelou sete grupos de vari[aveis intercorrelacionadas, os quais denominu módulos ou seç~es do Rorschach. Casa um desses sete módulos de variáveis intercorrelacionadas parecia estar associado a um aspecto distinto do funcionamento da personalidade" (p. 63)




EXNER, J. E (2003). The Rorschach: A Comprehensive System. 4th edition. Hoboken, NJ: John Wiley & Sons, Inc.

O Rorschach providencia informações sobre os processos e funções psíquicas que geram os comportamentos observados (sintomas ) (Exner, 2003, p. 4)

*******"The Rorschach test gives greater emphasis to the psychological structure or personality of the individual trather than to the behaviors of the person. It is the sort of infotmation that goes beyond the identification of symptoms and searches out etiological issues that distinguish one person from another, even though both may present the same symptomatology".

Comprehensive System - "to integrate the featues of all [Rorschach scoring and interpretation] systems for which empirically defensile data existed or could be established" (p. 25)

NORMATIVE DATA
"Useful in providing descriptive information about groups, and offer reference pont against which individual scores and be compared. Possibly most importnt is the basis that they provide for developing some general interpretative postulates, using the deviation psinciple, which focuses on findings different than expected". (p. 189)

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Prodroms considerations from articles

"the experience of stressful events that exceed an individual's coping capacity, and/or the employment of inappropriate or ineffective coping strategies, may promote psychobiological changes that lead to the expression of psychotic symptoms *Nuechterlein & Dawson, 1984; Zubin and Spring, 1977)"
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"Furthermore, individuals with poor coping skills or inadequate coping resources might have an underlying vulnerability to the eventual development of psychosis (Hardesty, Falloon and Shirin, 1985; Lukoff, Snyder, Ventura and Nuechterlein, 1984; Marsella and Snyder, 1981; Norman and Malla, 1993; Rabkin, 1980)."
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DE ACORDO COM O DSM-IV, sintomas prodrômicos estão frequentemente presentes antes da fase ativa (...) e são formas relativamente menos graves ou subthreshold dos sintomas positivos especificados no critério A (alucinações e delírios). Indivíduos podem expressar uma variedade de crenças incomuns ou estranhas que não tem proporções deliroides, podem ter experiencias perceptivas incomuns, seu discurso pode ser geralmente compreensível mas digressivo, vago ou por demais abstrato ou concreto e seu comportamento pode ser peculiar mas não grosseiramente desorganizado. Em adição a estes sintomas do tipo positivo (positive-like) sintomas negativos são particularmente comuns na fase prodromica e podem frequentemente ser bastante severos. Individuos que eram socialmente ativos podem se tornar abstinentes, eles perdem interesse em atividades anteriormente consideradas prazerosas

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First, advocates of all three positions recognize that people who meet UHR/CHR/prodromal criteria are symptomatic and in need of clinical care.[7,9•,12•–14•] Second, it is acknowledged that they have a greatly increased risk of developing a psychotic disorder within a brief time frame.[2,4,14•] Third, that they need treatment for current problems and to prevent transition to psychotic disorder.[7,14•,15] Finally, proponents of the different positions also all recognize that there is potential for harm in including the Risk Syndrome in the DSM-5.[9•,12•,16•] The relative importance that they place on these issues is perhaps the source of their apparent polarized positions. The central issues will be considered.

http://www.medscape.com/viewarticle/736917_2

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Criteria thought to identify young people at risk of psychosis: investigation of the developmental process of psychosis (McGorry, Killackey and Yung, 2007).
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OTA, M., OBU, S., SATO, N., ASADA, T. (2011). Nstudy in subjects at high risk of psychosis revealed by the rorschach test and first-episode schizophrenia. Acta Neuropsychiatrica, 23:125-131.


"Clinical high risk for schizophrenia but who did not fulfill the schizophrenia criteria. Patients showing the presence of at least one of the following symptoms were tested with the Rorschach test: ideas of reference, magical thinking, perceptual disturbance, paranoid ideation, odd thinking and speech. The individual PTI was scored, and a score of >=1 was regarded as showing perceptual disturbance (Ilonen, 2010)" (p. 126).

6 - PACE criteria for high risk
Yung A. R., Phillips L. J., McGorry P. D. (1999). Prediction of psychosis: a step towards indicated prevention of schizophrenia. Br J Psychiatry. 172:14–20.

12, 13 - PTI differential diagnosis
Exner, J. E. (2000). A primer for Rorschach interpretation.
Asheville, NC: Rorschach Workshop.
Exner, J. E. (2000). 2000 alumni newsletter. Asheville, NC:
Rorschach Workshops.

14 - reliability and validity of PTI
Miller, T. J., McGlashan, T. H., Rosen, J. L. (2002). Prospective diagnosis of the initial prodrome for schizophrenia based on the structured interview of for prodromal syndromes: preliminary evidence of interrater reliability and predictive validity. Am J Psychiatry 159:863–865.

15 - Structured Interview for Prodromal symptoms/ Scale of Prodromal Symptoms
Dao, T. K., Prevatt,  F. A. (2006). Psychometric evaluation of the Rorschach comprehensive system’s perceptual thinking index. J Pers Assess 86:180–189.

16 - Ilonen et al, PTI differentiates CHR and non-psychotic
visual form perception (X-% and FQ-): group 1: attenuated psychotic symptoms of PACE criteria. Patients without delusion, hallucination or catatonic behavior, but at high-risk mental state for shizophrenia.
Ilonen, T., Heinimaa, M., Korkeila, J., Svirskis, T., Salokangas, R. K. (2010). Differentiating adolescents at clinical high risk for psychosis from psychotic and non-psychotic patients with the Rorschach. Psychiatry Res. 179: 151–156.

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Gooding, C. D., Coleman, M. J., Roberts, S. A., Shenton, M. E., Levy, D. L., Erlenmeyer-Kimling, L. (2010). Thought Disorder in Offspring of Schizophrenic Parents: Findings From the New York High-Risk Project. Schizophrenia Bulletin, June 16. doi:10.1093/schbul/sbq061

high risk of schizophrenia=offpring of parents with schizophrenia

TDI, Idiosyncratic Verbalizations

"New YorkHigh-Risk Project (NYHRP), a longitudinal prospective study in which initially unaffected and untreated offspring of schizophrenic parents, parents with major affective disorders, and parents without such disorders were followed from mid-childhood
through mid-adulthood. Major goals of the NYHRP as a whole were to identify neurobiological and other types of deficits as likely predictors and to establish some of these deficits as endophenotypes indicating genetic liability. As subjects in the NYHRP are past the peak risk ages and approximately 14% of the high-risk subjects have developed schizophrenia or related psychoses, it is now possible to consider the predictive as well as endophenotypic status of a broad range of the variables assessed at earlier ages. Several predictors, probably reflecting genetic susceptibility to schizophrenia, have already been demonstrated among measures in the NYHRP, including attentional dysfunction, comparatively poor working memory, and disruptions in gross
motor performance".

"Clinically unaffected first-degree relatives of schizophrenia patients exhibit significantly more TD than healthy controls".

Doesn´t especify whether cited studies use the same criterion for high-risk
Doesn´t specify what criteria used for diagnosis of psychosis/schizophrenia
Used outdated measure of RO (TDI???)
Doesn´t differentiate high-risk, preschizophrenic, at-risk for schizophrenia,

"If, as Meehl asserted, cognitive slippage serves as a phenotypic indicator of an underlying integrative neural defect (‘‘schizotaxia’’) that characterizes individuals with a heightened liability for developing schizophrenia, then offspring of schizophrenic parents as a group would be expected to show greater levels of cognitive slippage".

*4-card RORSCHACH TEST!!!!!!!!!!*
Carpenter JT, Coleman MJ, Waternaux CM, et al. The Thought Disorder Index: short-form assessments. Psychol Assess. 1993;5:75–80.
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Se consideramos que a psicose é uma instância sindrômica duvidosa, e que a esquizofrenia é um construto cientificamente impossível, não podemos com certeza dizer que uma pessoa irá ficar psicótica, ou desenvolverá "esquizofrenia". Neste sentido, tampouco nos é claro um conceito como o de pródromos.


HIPOTESE: com os clientes do GIPSI, ao contrário de um transtorno esquizoafetivo, verificam-se longos períodos de transtorno afetivo subthreshold que chegam a um ponto de estranhamento e retraimento social que é psychosis subthreshold também. A intervenção precoce pode prevenir o degringolamento de maiores crinificações psicóticas, o que traz o transforno afetivo que está underlying os sintomas psicóticos. E eles ficam normais e entediados depois de pararem de ouvir as vozes - é aí que recebem alta. A dissertação da Wal indica incidência de comprometimento afetivo, mais do que transtorno psicótico, embora SINTOMATOLOGICAMENTE estas pessoas tenham sido identificadas como psicóticas. O que faz uma pessoa identificar a outra como psicótica? A gravidade do estranhamento, por mais subthreshold para a psiquiatria. A cronificação é um encaminhar-se para o threshold e para o diagnóstico. O paradigma internacional encaminha-se para uma classificação com thresholds mais baixos, para facilitar o diagnóstico e a farmacoterapia ("it may be justifiable to target these individuals for intensive monitoring of mental state and even low-dose neuroleptic medication or other biological and psychosocial treatments depending on clinical condition" (Yung et cols., ). Nevertheless, to target suffering individuals, who elaborate demand for clinic care, is to develop new labels and new stigmatization (you´re not
schizophrenic - YET). To recognize that prodroms are symptoms (high risk of psychosis) and demand for health care - even though prodromal phase may never evolve into psychosis (and even believing that psychosis is such a confusingly defined syndrom that can be abandoned as well as its psychiatric diagnosis, and understanding that traditional psychiatry knows nothing about human development of their own angst, which is part of themselves and although may request for health care, cannot be extinguished)

Consideramos que a esquizofrenia é uma construção do tratamento tradicional da psiquiatria, e o que existe é um sofrimento psíquico grave, verificável por sinais do tipo psicótico. Este sinais seriam caracterizados por:
-serem de difícil manejo (Costa, 2003)
-indicarem um estranhamento (?)


Costa 2003 fala que o sofrimento psíquico grave é "toda manifestação aguda da angústia humana (...) que não é - ou não tem sido - bem compreendida pelos demais. (...) Não se trata aqui de negar que esista esta diferença radical, "bizarra" para muitos, mas antes de tentar resgatar, pela crítica analítica da linguagem, o espaço necessário para que a diferença como tal se revele e pernameça passível de múltiplas abordagens. (...) não existe a esquizofrenia, o que nao sifinifica dizer que não existam as pessoas demonimadas de esquizofrênicas"

Então o que diferencia os CDI+quaseDEPI e os PTI=3 dos neuróticos chatos pra quem a gente dá alta do gipsi?

O Rorschach subsidiando os achados sobre loucura relacional~~ - que a Yung fala de vulnerabilidade ao estresse e dificuldades de coping - e não consegue relacionar com número de eventos estressantes (até porque pessoas em uhr não tem EVENTOS DE VIDA) - acho que é porque ela desconsidera o AMADURECIMENTO destas pessoas inseridas em seus contextos familiares. A experiência de perda e de estresse de uma pessoa edipiana é certamente diferente de uma pré-edipiana e é por ficarem na superfície do fenômeno que os comportamentalistas pecam - e não me seduzem.

Psicose (Campbell, 1986) é uma perturbação mental gave, retraidora afetiva e intelectualmente e regressiva.

DSM-IV INTRODUCTION OF SCHIZOPHRENIA AND OTHER PSYCHOTIC SPECTRUM DISORDERS
O DSM-IV agupa a esquizofrenia e transtornos do espectro psicótico, mas alerta que isto foi feito para "facilitar o diagnóstico diferencial dos transtornos que incluem sintomas psicóticos como aspecto proeminente de sua apresentação". No entanto, "sintomas psicóticos não são necessariamente considerados os aspectos centrais ou fundamentais destes transtornos, nem os transtornos nesta seção tem necessariamente uma etiologia em comum".

A definição mais estreita de psicótico é restrita a delírios ou alucinações proeminentes, com alucinações ocorrendo na ausência de insight sobre sua natureza patológica. Uma definição menos restritiva também inclui alucinações proeminentes que o indivíduo reconhece como experiências alucinatórias. Mais ampla é a definição que também inclui outros sintomas positivos da esquizofrenia (fala desorganizada, comportamento grosseiramente desorganizado ou catatônico). Diferentes destas definições embasadas em sintomas, definições utilizadas em classificações anteriores eram provavelmente muito inclusivas e enfocavam na severidade do comprometimento funcional. (...) Neste manual, o termo psycótico refere à presença de certos sintomas. No entanto, a constelação específica de sintomas a qual o termo se refere varia em algum grau atraves das categorias diagnósticas. Na ESQUIZOFRENIA, TRANSTORNO ESQUIZOFRENIFORME, TRANSTORNO ESQUIZOAFETIVO E BREVE TRANSTORNO PSICÓTICO, o termo psicótico se refere a delírios, qualquer alucinação proeminente, fala desorganizada ou comportamento desorganizado ou catatônico.
No TRANSTORNO PSICÓTICO DEVIDO A UMA CONDIÇÃO MÉDICA GERAL e no TRANSTORNO PSICÓTICO DEVIDO INDUZIDO POR SUBSTÂNCIA, psicótico refere a delírios e somente alucinações não acompanhadas por insight.
No TRANSTORNO DELIROIDE e no TRANSTORNO PSICÓTICO COMPARTILHADO, psicótico é equivalente a deliroide.

É fácil diagnosticar as pessoas pelo DSM-IV:
-esquizofrenia é um transtorno que dura ao menos 6 meses (critério C) e inclui ao menos 1 mês de sintomas ativos (>1 sintomas psicóticos (positivos ou negativos) ou delírio bizarro/alucinação auditiva - critério A). É disfuncional social ou ocupacionalmente (critério B) e não tem causação orgânica específica (critério E) ou é precedido por transtorno de humor (critério D). Constelação de sintomas e sinais associados com comprometimento funcional;
-transtorno esquizofreniforme é apresentação sintomática semelhante à esquizofrenia que dura de 1 a 6 meses e em que não há declínio no funcionamento
-transtorno esquizoafetivo é apresentação de episódio de transtorno de humor na fase ativa dos sintomas de esquizofrenia, precedido ou seguido por ao menos duas demanas de delírios ou alucinações sem sintomas de humor.
-transtorno deliroide é 1 mês de delírios não bizarros sem fase ativa da esquizofrenia (delírios não bizarros são algo plausíveis e compreensíveis, devido a experiências de vida do indivíduo, mas ainda assim são de difícil compreensão e não diminuem sua convicção a despeito de evidências contraditórias)
-transtorno psicótico breve dura mais do que 1 dia e tem remissão em 1 mês.
acho que a maior parte dos clientes do gipsi começaram com transtorno psicótico breve e evoluíram para transtorno esquizofreniforme, transtorno esquizoafetivo e esquizofrenia (e.g. JAL) ao alcançarem 6 meses de DUP.

IMPLICAÇÕES ÉTICAS DE PESQUISAR FALSOS POSITIVOS NA FASE PRODRÔMICA: avaliar e não oferecer tratamento, para verificar se vão evoluir ou não para psicose?

It has not been used traditional psychosis scales (PANSS...), since PTI had been validated as sensitive and specific for psychosis spectrum disorders.


Alison R. Yung , Lisa J. Phillips , Hok Pan Yuen and Patrick D. McGorry (2004). Risk factors for psychosis in an ultra high-risk group: psychopathology and clinical features. Schizophrenia Research, 67 (2-3), apr. 2004, pp. 131-142.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Problemáticas e problemáticas

Lendo o artigo da Elsa de Oliveira, e considerando as últimas aulas. Falei em aula hoje sobre o blog e sua característica intimista, me senti mais encorajada para vomitar com força, em vez de ficar só procurando forma. Afinal de contas, minha interlocução comigo mesma não me faz só tomar no cu. Fico falando e falando, e um jeito importante de lembrar as ideias que fogem é simplesmente jot them down.
O artigo fala da importancia da teoria desenvolvida por Winnicott para a clínica, apesar de nao haver a sistematização de uma técnica, assim como Freud o fez. Na perspectiva winnicottiana, os distúrbios mentais são caracterizados por falhas ambientais em alguma fase do amadurecimento do indivíduo. Quanto mais precoce esta falha, mais grave o distúrbio mental. Isto traz considerações importantes não somente para o manejo clínco, mas também para o psicodiagnóstico. Para Winnicott, se soubéssemos bem diagnosticar, economizaríamos muito desespero e sofrimento para nossos pacientes.
Minha inquietação é se Winnicott, Rorschach e McGorry dialogam. Pq a perspectiva internacional de intervenção precoce também pontua a importancia de bem avaliar para poder intervir com ferramentas sensíveis e específicas, e aqui eu consegui justificar a metodologia de avaliação como o Rorschach, por ser rápida e eficiente, faz sentido na IP.
Já com Winnicott, dava para forçar a barra e dizer que os achados anteriores demonstravam como as crises do tipo psicótica, por mais que não dissessem sempre sobre estruturas psicóticas, estão muito mais relacionadas a dificuldades ambientais, interrupções no desenvolvimento. Isto também é verdade na clínica do gipsi, e é preciso atribuir a devida importância para o psicodiagnóstico adequado. Ai ai, nem assim ficou bom, ainda está muito forçado.
Psicodiagnóstico em Winnicott - O ambiente e os processos de maturação, as contribuições da psicanálise para a classificação psiquiátrica: neurose, depressão, tendência antissocial e psicose. Não sei se a (minha) compreensão das primeiras crises faz sentido com Winnicott. Sou do psicodiagnóstico estrutural e dinâmico, com a personalidade como contexto para a psicopatologia (nossa, sou bem mais Marcelo Tavares do que estou disposta a assumir). A interação da compreensão psiquiátrica das primeiras crises, com uma perspectiva mais psicanalítica (não necessariamente winnicottiana, porque é psicodinâmica). E o medo de pegar de winnicott só o que me faz sentido? Como fazer dialogar epistemologicamente Exner e Winnicott? E a questão da construção de política publica? E a constelação, isso ainda pode fazer sentido se eu partir do arcabouço teórico winnicottiano?

Um primeiro esboço sobre o objetivo da pesquisa:
O objetivo desta pesquisa é descrever e sistematizar aspectos estruturais e dinâmicos da personalidade de indivíduos em primeiras crises do tipo psicótico ou em fase prodrômica atendidos no gipsi, na construção de uma contelação psicodiagnóstica de pródromos.
nem sei se vou continuar com esta história de pródromos. a gente vai precisar de uma oficina metodológica só pra falar de novo sobre este conceito.

O que era antes:
O objetivo desta pesquisa é investigar, sob a ótica psicanalítica winnicottiana, dados dos protocolos de Rorschach de clientes em primeiras crises do tipo psicótica ou em fase prodrômica, atendidos pelo gipsi. Tem como objetivo específico a sistematização dos dados dos protocolos na construção de uma constelação prodrômica. A constelação teria por objetivo uma descrição específica das primeiras crises e usa compreensão sob o olhar winnicottiano, investigar em que medida pode desconstruir a consideração tradicional da psicose. O apriorismo vem do trabalho desenvolvido na cl=inica das primeiras crises no gipsi, a desconstrucao do conceito de esquisaobrenia feito por Szasz-Costa e o uso do Método de Rorschach em trabalhos anterirores, o qual pode identificar que os sujeitos não apresentam sinais clássicos de psicose. Tese da Nerícia, não sei o que aconteceu, mas parece que este trabalho vai demorar horrores, preciso que meu orientador me diga coisas neste sentido...

Continuo com a ideia de pródromos ou vou para as primeiras crises de fato? daí seria uma constelação de primeiras crises? É um aspecto dinâmico e funcional da persnalidade, já que não se trata de psicose instaurada, mas sim de um processo que pode "se reverter" com intervenções adequadas?
O que é psicose?
Como avaliar psicose?
O que são primeiras crises?
Como avaliar nas crises?
Nas primeiras crises, o estranhamento já estava presente anteriormente? Ou ele se torna agravado na medida em que as crises se repetem?
Descrever as primeiras crises pode levar a características comuns? Porque eu sempre achei um exagero ter que "construir uma psicoterapia para cada cliente". Até porque se a gente estuda desenvolvimento, ou no caso de Winnicott, amadurecimento, os apriores já existem, há expectativas muito grandes a respeito do bebê e de seu meio de desenvolvimento.
Estou quase dormindo aqui. Quando estiver melhor da cuca, eu continuo.