Winnicott, D. W. (1951). Objetos transicionais e fenômenos transicionais. In: Winnicott, D. W. (1988). Textos selecionados: da pediatria à psicanálise. Rio de Janeiro: F. Alves, pp. 389-408.
"É costume fazer referência ao 'teste de realidade' e efetuar uma distinção clara entre apercepção e percepção. Reivindico aqui um estado intermediário entre a inabilidade de um bebê e sua crescente habilidade em reconhecer e aceitar a realidade. Estou, portanto, estudando a substância da ilusão, aquilo que é permitido ao bebê e que, na vida adulta, é inerente à arte e à religião. Podemos compartilhar do respeito pela experiência ilusória e, se quisermos, reunir e formar um grupo com base na similaridade de nossas experiências ilusórias. Essa é uma raiz natural do agrupamento entre seres humanos. No entanto, ela se torna a marca distintiva da loucura quando um adulto exige demais da credulidade dos outros, forçando-os a compartilharem de uma ilusão que não é própria deles" (p. 391).
"A área intermediária a que me refiro é a área concedida ao bebê, entre a criatividade primária e a percepção objetiva baseada no teste de realidade" (p. 402).
Presume-se aqui que a tarefa de aceitação da realidade nunca é completada, que nenhum ser humano está livre da tensão de relacionar a realidade interna e externa e que o alívio desta tensão é proporcionado por uma área intermediária de experiência" (p. 404).
FQu como um tipo de percepção "intermediária": acurada, mas também saturada de subjetividade.
Se um adulto nos reivindicar a aceitação da objetividade de seus fenômenos subjetivos, discerniremos ou diagnosticaremos nele loucura. Se, contudo, o adulto consegue extrair prazer da área intermediária pessoal sem fazer reivindicações, podemos então reconhecer nossas próprias e correspondentes áreas intermediárias, agradando-nos descobrir certo grau de sobreposição, isto é, de experiência comum entre membros de um grupo na arte, na religião ou na filosofia" (p. 405).
Evoluções do processo de feitura da dissertação de Mestrado em Psicologia Clínica e Cultura: Psicose e Sofrimento Psíquico Grave: as primeiras crises psicóticas pelo método de Rorschach.
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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Psicose e cuidados maternos
Winnicott, D. W. (1952). Psicose e cuidados maternos. In: Winnicott, D. W. (1988). Textos selecionados: da pediatria à psicanálise. Rio de Janeiro: F. Alves, pp. 375-387.
Mais do que pensar a saúde do adulto na criança (em termos de prevenção), "a saúde do adulto é estabelecida em todos os estádios da infância" (p. 376).
"A saúde mental, portanto, é um produto do cuidado contínuo que torna possível uma continuidade do crescimento emocional pessoal" (p. 376-373).
Estádios primitivos do desenvolvimento emocional
Unidade: organização meio-indivíduo
área transicional: zona de compromisso que não é contestada (você criou ou já existia? Pergunta absurda)
Loucura: permitida ao bebê, lentamente afogada pelo teste de realidade.
Ao adulto, descanso só nas ares, religião, trabalho criativo, sonho.
O resto (exigência demasiada) é psicose.
Tanto mais falho é o ambiente, mais o segredo é incomunicável.
O falso self é construído na submissão às intrusões ambientais - é satisfatório pois contém as características do ambiente, mas só serve para proteger o verdadeiro self.
Pseudomaturidade em ambiente psicótico (p. 382). Palazzoli novamente.
Os processos mentais lidam com os fracassos do meio, ligam a lacuna existente entre a adaptação completa e a incompleta: predição, compreensão, tolerância.
Não-integração --> Humpty Dumpty --> integração ------paranoico?---------> desintegração
Mais do que pensar a saúde do adulto na criança (em termos de prevenção), "a saúde do adulto é estabelecida em todos os estádios da infância" (p. 376).
"A saúde mental, portanto, é um produto do cuidado contínuo que torna possível uma continuidade do crescimento emocional pessoal" (p. 376-373).
Estádios primitivos do desenvolvimento emocional
Unidade: organização meio-indivíduo
área transicional: zona de compromisso que não é contestada (você criou ou já existia? Pergunta absurda)
Loucura: permitida ao bebê, lentamente afogada pelo teste de realidade.
Ao adulto, descanso só nas ares, religião, trabalho criativo, sonho.
O resto (exigência demasiada) é psicose.
Tanto mais falho é o ambiente, mais o segredo é incomunicável.
O falso self é construído na submissão às intrusões ambientais - é satisfatório pois contém as características do ambiente, mas só serve para proteger o verdadeiro self.
Pseudomaturidade em ambiente psicótico (p. 382). Palazzoli novamente.
Os processos mentais lidam com os fracassos do meio, ligam a lacuna existente entre a adaptação completa e a incompleta: predição, compreensão, tolerância.
Não-integração --> Humpty Dumpty --> integração ------paranoico?---------> desintegração
Desenvolvimento emocional primitivo
Winnicott, D. W. (1945). Desenvolvimento emocional primitivo. In: Winnicott, D. W. (1988). Textos selecionados: da pediatria à psicanálise. Rio de Janeiro: F. Alves, pp. 269-285.
1- integração (unidade) - I
2 - personalização (indwelling, conluio psicossomático) - AM
3 - realização (tempo, espaço, realidade "partilhada") - ALONE
"Por vezes, se supõe que o indivíduo saudável está sempre integrado, vivendo dentro do próprio corpo e capaz de sentir que o mundo é real. No entanto, muitas vezes a saúde tem uma qualidade sintomática, estando carregada de medo ou negação da loucura, medo ou negação da capacidade inata que todo ser humano tem de se tornar não-integrado, despersonalizado, e de sentir que o mundo é irreal" (p. 276).
Não integração ----> integração parcial (dissociações):
-Estados tranquilos X excitados;
-O bebê tranquilo e satisfeito é o mesmo quando está excitado e tenso?
-A mãe construída através das relações tranquilas é a mesma por trás do seio que o bebê quer destruir?
-A criança que dorme X a criança acordada
Adaptação à realidade
contradições: o objeto foi alucinado ou está lá para ser percebido? Pergunta inútil.
A ideia é enriquecida pelos sentidos, material que será utilizado quando a necessidade advier (e a nova alucinação ocorrer). O bebê evoca o que realmente existiu; ou o que foi-lhe oferecido pela mãe como fragmento de realidade simplificado.
Quando a realidade externa é aceita, verifica-se o uso que se pode fazer dela (para que serve?) O leite real é gratificante, comparado ao leite imaginário (alucinado), mas o bebê pode mesmo usá-lo?
Fantasia: mágica, amor e ódio não têm freios.
Não desejar, como resultado da satisfação, é aniquilar o objeto.
Ilusão: tonar alucinação como apresentação (de objetos).
Crueldade primitiva: relação objetal em que não há preocupação com os efeitos da ação sobre o objeto (ruthlessness).
Retaliação primitiva: a sucção do dedo ou o roer das unhas volta o amor para dentro, preserva o objeto do amor e do ódio.
Localiza o objeto a meio caminho entre o dentro e o fora (área transicional): o objeto é parte do self, como a pulsão que o evoca.
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