Mostrando postagens com marcador psicanálise. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador psicanálise. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A psicose na metapsicologia freudiana

Simanke, R. T. (2009). A formação da teoria freudiana das psicoses. São Paulo: Loyola, pp 225-247.

1º problema: As duas realidades

A castração é o protótipo de todo rompimento posterior com o mundo. A partir da formulação do complexo de Édipo, o questionamento: existiria, na psicose, um mecanismo equivalente à repressão?
Alucinação, narcisismo e mecanismo específico da psicose: influências na noção de "ruptura com a realidade".

Noção de realidade: a realidade psíquica não é a totalidade do que é subjetivo. Há um problema epistemológico na descrição da realidade psíquica, que é a comparação desta com a realidade material. Freud oferece ordem de realidade ao que é próprio do inconsciente: pensamentos intermitentes e de transição (o que é subjetivo, pensamentos voluntários, devaneios) não teriam realidade, embora sejam subjetivos. Ao contrário, desejos inconscientes em sua expressão última e verdadeira são uma forma particular de existência e mereceriam o estatuto de realidade psíquica, porquanto causam (ou seja, determinam) os eventos psíquicos.

Velho embate:
Interno x externo
Subjetivo x objetivo
Real x não real
Em que medida essas dimensões se interpolam e se interdeterminam?

Para Freud, a realidade psíquica é mais do que a subjetividade, mas não compreende, em absoluto, o objetivo e o externo. Ao discorrer sobre a aquisição psíquica, Freud descreve que o prazer se localiza no ego e o desprazer é projetado para fora. No artigo "A negativa" (1925), ele descreve a função do juízo, ou seja, a prova de realidade (questão central da psicose), como tarefa do ego-realidade final, o qual é derivado do ego-prazer inicial: algo é julgado como real se a representação puder ser encontrada na percepção. Podemos ver a confusão entre representação e percepção na alucinação e paranoia. O externo é julgado como algo fora do ego, mas não necessariamente ele estará fora do psíquico, o que deriva que a realidade psíquica não é somente interna.

Mais ainda, a realidade psíquica:
- não é somente individual (ou subjetiva),
- não é livre, como a imaginação,
- possui determinação externa, mas não se confunde com os elementos externos.

Pulsão sexual e a teoria da sedução
Laplanche e Pontalis: teoria da sedução generalizada. A pulsão sexual é inclulcada no bebê pela sedução do adulto (cuidado corporal erogeneizante);
Melanie Klein sugere que a pulsão sexual é totalmente endógena, os objetos sexuais são constituídos a partir da fantasia, extremamente precoce;
Freud devente posição intermediária: as pulsões têm sua fonte nas zonas erógenas, mas encontram seus objetos na realidade externa (que pode, inclusive, ser o corpo próprio).

Breuer: "os histéricos sofrem de reminiscências" - não quaisquer, mas um tipo especial de memória constitui o núcleo do trauma, o qual se manifestará a partir de associações e formações simbólicas. O núcleo, em si, não é elaborado, resiste a análise e é o ponto de inserção do mundo concreto no psiquismo, onde se situa a realidade psíquica. A memória é uma fantasia infantil e a cena primária é o momento do enengramento do psíquico pela ação da realidade externa. A fantasia é primária: elabora, assimila e está relacionada, ainda que apenas isomorficamente ou por meio de associações simbólicas, a um evento real. A fantasia, portanto, é a expressão da pulsão. O objeto da repressão primária (que retorna na repressão propriamente dita) é o primeiro representante psíquico da pulsão, este constitui o ponto de inserção da realidade externa no psiquismo.

Daí decorre que:
Os registros mnêmicos não verbais, inacessíveis à consciência, pertencem ao inconsciente, são o núcleo irredutível, resistem à interpretação e são reais.
Na alucinação, estratégia primária de realização de desejo, o sujeito vive em realidade psíquica. A perda da realidade na psicose é a perda da relação mediata com o inconsciente, onde há somente representações de coisa. Na psicose, decorrente da impossibilidade de diferenciar representações e percepções, a representação se torna coisa. A realidade psíquica parece um "nó heterogêneo", relativamente exógeno, pois o percebido, após virar traço mnêmico, está sujeito ao processo primário: está condenado à "inefabilidade qualitativa", já que o sujeito só recebe a quota energética daquilo que tem que processar. O externo só tem, na metapsicologia freudiana, o estatuto econômico/energético.

Com o abandono da teoria da sedução, Freud não desiste da determinação real e histórica das fantasias: busca, então, a determinação nos diversos âmbitos da produção cultural e subjetiva humana:
-mitologia,
-antropologia,
-filo e ontogenia.

Teoria do complexo de castração
Efeito traumático da ameaça de castração: ameaça à integridade narcísica. A psicose seria a recusa da castração e o retorno (fixação) no narcisismo. A ablação do falo é uma fantasia, assinala o lugar do sujeto em um mundo sexuado, com a diferença entre os sexos (e entre as gerações, na entrada no complexo de Édipo, muito tempo depois).
No narcisismo, a relação de objeto é de identificação, o objeto parental é idêntico ao ego (com as frustrações, o ego apela ao id: "me ame, eu sou tão parecido com ele...).

Diferença entre representação e percepção:
Só com a superação do narcisismo primário as noções de dentro e fora, eu e outro começam a fazer sentido. Na menina, a decepção fálica introduz ao Édipo e à captura do pai por desejo de um filho-falo. No menino, a mãe fálica era idêntica a ele e a descoberta da castração (dela) insere a criança no complexo - a ausência/inveja do pênis divide o mundo em dois conjuntos de seres irreconciliáveis. E o fato de esta diferença estar estritamente relacionada ao sexo e à reprodução faz desta questão, para a criança sexuada, essencialmente central e traumática. A castração se torna realidade da própria vida, universal.

Narcisismo
O narcisismo primário é a inserção do objeto na identificação primária, quando ego=objeto. A onipotência imaginária não dá limites para a satisfação do desejo. A alucinação é característica da psicose enquanto quadro de regressão ao narcisismo. A castração é todo limite imposto ao desejo pela realidade, significa ruptura da situação narcísica: é a resistência da realidade à satisfação do desejo. A passagem pelo Édipo permite evitar, em parte:
-a confrontação com a realidade da castração;
-a confrontação com a realidade da ferida narcísica que ela implica.

O incesto (interdito, proibição) resulta do sepultamento do Édipo e oferece objetos possíveis ao sujeito, ao mesmo tempo em que o distancia da castração. O tabu do incesto permite dizer que, se os sujeitos, femininos e masculinos, só se satisfazem parcialmente e com objetos algo inadequados, é por causa da interdição do incesto e não à diferença sexual real, que acaba com a fantasia narcísica. Isso porque a transgressão a uma proibição é, em tese, possível. A proteção contra a ameaça de castração é a repressão contra desejos incestuosos e a identificação (secundária) de parte do ego com as figuras parentais (Édipo direto+invertido=completo), um algo de conservação do narcisismo: SUPEREGO.

Narcisismo secundário da perversão ≠ psicose (modo da recusa).

No neurótico, o superego é porta-voz da ameaça de castração.
O conflito ego x superego na neurose substitui o arcaico conflito ego x realidade, próprio da psicose.

Em Eva, por exemplo, o registro narcísico mantido após o complexo de Édipo retorna com a "realidade material" de um outro (do filho), que é rejeitado. Na psicose, há a perturbação do vínculo do ego com a realidade pela recusa em dar inscrição psíquica à realidade da diferença sexual. Em muito se parece com a defesa perversa...

Verleugnung: fragilidade original da construção da realidade da diferença sexual devido à recusa de dar inscrição psíquica a um dos seus elementos mais fundamentais.

Desinvestimento do inconsciente: as representações de coisa são "percebidas" (perceber=recordar). O modo particular de defesa da psicose extingue (desinveste) sucessivamente as representações de coisa que assinalam o ponto de inserção da realidade insuportável (complexo de castração?). "É uma espécie de sangramento do investimento próprio desse sistema através da brecha deixada pela ausência de inscrição psíquica de uma realidade concreta tão decisiva como a castração" (p. 239).

A confrontação com essa realidade só produz desagregação (ameaça de castração --> ameaça de aniquilamento).

"Esboço de psicanálise": dificuldade demarcatória entre psicose, neurose e perversão (verleugnung?)

Lacan: Verwerfung - forclusion ~ forma mais drástica de rejeição da representação intolerável (alucinaçaõ, Neuropsicoses de defesa); recusa da castração em Homem dos Lobos. O que é foracluído no simbólico (cuja inscrição psíquica é recusada) retorna no real.

Laplanche e Pontalis (vocabulário): termos que denotam uma recusa em tomar conhecimento de algum conteúdo que não é repressão.

Schreber: conteúdo psíquico cancelado (aufgehoben) dentro e que ressurge desde fora, por projeção.

Fetichismo: duas séries psíquicas paralelas (cisão do ego), numa das quais a falta do pênis feminino estaria reconhecida (ambiguidade). Na psicose, a série com a falta do pênis está ausente. A ausência de um esquema de regulação edípico deixa o sujeito psicótico perplexo diante do surgimento de obstáculo à realização do desejo (alucinação). Na falta das representações de coisa, desinvestidas pela defesa psicótica, à realização de desejo, sempre regressiva, não resta alternativa senão a via alucinatória.
(A interpretação dos sonhos: o desejo inconsciente é o impulso psíquico para reinvestir as representações de coisa na falta do objeto).

Presença de alucinações em quadros clínicos que não a psicose. Na histeria, a invervação conversiva do aparato sensorial (daí também nossa postura de não chamar essas pessoas de psicóticas, que dirá esquizofrênicas, não importa quanto tempo durem as alucinações). Na psicose, contudo, o desinvestimento no inconsciente ocorre em cadeia e esvazia o sistema de sua excitação própria, até a constituição do delírio. Na histérica, a formação do sintoma é simbólico, a representação está reprimida (O inconsciente).

Alucinação verbal: despersonalização.
"O sujeito não tem mais a impressão de coincidir com sua palavra própria. Eis aí o germe da ilusão da palavra estrangeira" (Merleau-Ponty, 1949, p. 58).

Winnicott: o que importa é proteger o verdadeiro self.

O delírio passa a ser um esforço pra recuperar os vínculos perdidos com a realidade (tentativa de cura, remendos psíquicos).

As representações de palavra (veículo para o delírio) perderam o vínculo associativo (afetivo) com as representações de coisa, os instrumentos de mediação e prova de realidade realizados pelo ego, aniquiladas pelo desinvestimento psicótico e, por isto mesmo, a palavra é tomada como coisa (e investida pela quota de afeto livre?)

A possibilidade de uso da linguagem compartilhada (consciente) depende da reanimação dos traços mnêmicos. O delírio é pensar com palavras investidas de libido narcísica (daí decorre que o paranoico ama seu delírio como a si mesmo, onipotência do sintoma)

Decisão na relação eu-outro
-As instâncias psíquicas são sedimentos dos investimentos objetais primários abandonados
objeto da pulsão (parcial) --> falta --> objeto do desejo
A nova ação psíquica que leva do autoerotismo ao narcisismo é o início da diferenciação entre ego e id. No narcisismo, ego=objeto.
Narcisismo secundário: retorno a um modo arcaico de relação objetal.
Privado das referências que assinalam o limite da subjetividade, o psicótico só pode perceber sua palavra como proveniente da realidade externa (alucinação auditiva: regressão tópica, formal e temporal)

O psicótico freudiano parece virado ao avesso (inconsciente a céu aberto).

"A história do conceito de psicose em Freud é toda - ou quase toda - uma pré-história (p. 248)".

Discussões sobre a diferença entre a noção de psicose na
psicanálise x psiquiatria
Não estamos falando da mesma coisa... Postura epistemológica na construção da classificação psiquiátrica, um manual diagnóstico "ateórico" é impossível.




domingo, 3 de junho de 2012

Mil platôs

aqui, só dois.

Deleuze, G. & Guattari, F. (2000). Mil platôs: Capitalismo e Esquizofrenia. Volume 1. Editora 34: São Paulo.


1. Rizoma

"Estranha mistificação, esta do livro, que é tanto mais total quanto mais fragmnetada. O livro como imagem do mundo é de toda maneira uma ideia insípida".
Rizoma e multiplicidade: "Não existem pontos ou posições num rizoma como se encontra numa estrtura, numa árvore, numa raiz. Existem somente linhas".
Ruptura a-significante: "Há ruptura no rizoma cada vez que linhas segmentares explodem numa linha de fuga, mas a linha de fuga faz parte do rizoma. (...) O bom e o mau são somente o produto de uma seleção ativa e temporária a ser recomeçada". "O rizoma é uma antigenealogia".
"Escrever, fazer rizoma, aumentar seu território por desterritorialização, estender a linha de fuga até o ponto em que ela cubra todo o plano de consistência em uma máquina abstrata".
"O mapa é aberto, é conectável em todas as suas dimensões, desmontável, reversível, suscetível de receber modificações constantemente. Ele pode ser rasgado, revertido, adaptar-se a montagens de qualquer natureza, ser preparado por um indivíduo, um grupo, uma formação social. Pode-se desenhá-lo numa parede, concebê-lo como obra de arte, construí-lo como uma ação política ou como uma meditação".
"O decalque organizou, estabilizou, neutralizou as multiplicidades segundo eixos de significância e de subjetivação que não os seus. ele gerou, estruturalizou o rizoma, e o decalque já não reproduz senão ele mesmo quando crê reproduzir outra coisa. Por isto ele é tão perigoso. Ele injeta redundâncias e as propaga. O que o decalque reproduz do mapa ou do rixoma são somente os impasses, os bloqueios, os germes de pivô ou os pontos de estruturação".

O inconsciente não como teatro (representação), mas como usina (produção).

Uma árvore pode conter princípios ou formação de rozomas. "Um traço intensivo começa a trabalhar por sua conta, uma percepção alucinatória, uma sinestesia, uma mutação perversa, um jogo de imagens se destacam e a hegemonia do significante é colocada em questão". Seriam os sintomas todos formações de rizoma?
"Ser rizomofro é produzir haster e filamentos que parecem raízes, ou, melhor ainda, que se conectam com elas penetrando no tronco, podendo fazê-las servir a novos e estranhos usos. Estamos cansados da árvore".

"Esplendor de uma ideia curta: escreve-se com a memória curta, logo, com ideias curtas, mesmo que se leia e releia com a longa memória dos longos conceitos".

"Para os enunciados como para os desejos, a questão não é nunca reduzir o inconsciente, interpretá-lo ou fazê-lo significar segundo uma árvore. A questão é /produzir inconsciente/ e, com ele, novos enunciados, outros desejos: o rizoma é esta produção inconsciente mesmo".

Hierarquia nos rizomas? "Existem nós de arborescência nos rizomas, empuxos rizomáticos nas raízes. Bem mais, existem formações espóticas, de imanência e de canalização, próprias aos rizomas. Há deformações anárquicas no sistema transcendente das árvores; raíses aéreas e haster subterrâneas"
-explicação tautológica?
"Problema de escrita: são absolutamnete necessárias expressões anexatas para designar algo exatamente"
...


2. Um só ou vários lobos?

Freud conta com a palavra para restabelecer uma unidade que já não estava nas coisas. Não se assiste aqui ao nascimento de uma aventura ulterior, a do Significante, a instância despótica sorrateira que se põe no lugar dos nomes próprios a-significantes e que também substitui as multiplicidades pela morna unidade de um objeto declarado perdido?"
"Freud tentou abordar os fenômenos de multidão desde o ponto de vista do inconsciente, mas ele não viu bem, não via que o inconsciente era antes de mais nada uma multidão. Ele estava míope e surdo, confundia multidões com uma pessoa. Os esquizos, ao contrário têm o olho e a orelha agudos".

(("Um corpo sem órgãos não é um corpo vazio e desprovido de órgãos, mas um corpo sobre o qual o que serve de órgãos (lobos, olhos de lobos, mandíbulas de lobos?) se distribui segundo movimentos de multidões, segundo movimentos brownoides, sob a forma de multiplicidades moleculares".))

"O lobo como apreensão instantânea de uma multiplicidade em tal região não é um representante, um substituto, é um /eu sinto/".

Canetti: "Ele estará dentro e, logo depois, na borda, na borda e, logo após, dentro. Quando a matilha se põe em círculo ao redor de seu fogo cada um poderá ter vizinhos à direita e à esquerda, mas as costas estão livres, as costas estão expostas à natureza selvagem".

"Dizemos que o agenciamento é fundamentalmente libidinal e inconsciente. É ele, o inconsciente em pessoa".

Na psicanálise, há a promessa implícita de um enunciado pessoal, individual, após descoberto o vínculo edipiano e a angústia de castração subjacente. "Mas não se trata disto em Psicanálise: no mesmo momento em que se persuade o sujeito de que ele vai proferir seus enunciados mais individuais, retira-se-lhe toda condição de enunciação".

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Investigando psicanaliticamente as psicoses


Lendo
Tenenbaum, D. (1999) Investigando Psicanaliticamente as Psicoses. Rio de Janeiro: Sette Letras.

Ouvindo


Freud (O futuro de uma ilusão, o mal estar na civilização) - a religião é uma psicose em massa, "exemplo vivo de que a loucura é a fuga de uma realidade frustradora e o delírio, a (re)criação da realidade mais de acordo com o princípio do prazer" (p. 14)
Mas e quanto aos fenômenos sociais envolvidos na crença ou ilusão social? as religiões podem ser continentes para a vivência de tensões psicológicas importantes. além disto, a partilha de um fenômeno psicótico ocorre em situações de grande intimidade e segurança (como no setting terapêutico) e não existe isto de "delírio compartilhado". A reconstrução da realidade numa dimensão social não é propriamente regida pelo princípio do prazer, como ocorre com fenômenos psicóticos (individuais). "Ao contrário, estas crenças oferecem segurança e amparo contra os infortúnios da vida em troca da realização dos desejos e anseios individuais. Isto está mais para os ditos instintos do ego do que do id" (p. 15). Na psicose, a reconstrução da realidade é a elaboração secundária o processo primário que invadiu a consciência (inconsciente a céu aberto).

Evolução do conceito de psicose
Castigo divino, problemas hormonais, distúrbios na localização das funções psíquicas superiores.
Alienatio mentis, insanidade.
Idade medieval - concepção demoníaca da loucura.
1300 - literatura especializada de forma de tratamento específico para os problemas mentais, a persuasão moral (p. 17)
Renascentismo - paralelismo entre fenômenos psíquicos e nervosos.
Phillipe Pinel - nosografia psiquiátrica com observação sistemática dos fenômenos.
Braid, Charcot - mesmerismo, hipnose (sugerir um estado subjetivo)
Escola alemã: Kraeplin, Bleuler, Freud
Contemporaneidade: CID não faz mais uso da palavra psicose.

Freud, 1923 (Uma breve descrição da psicanálise)
"Não se poderia duvidar que as neuroses e psicoses não estão separadas por uma linha rígida, mais do que estão a saúde e a neurose, e era plausível explicar os misteriosos fenômenos psicóticos pelas descobertas a que se chegou nas neuroses, que até então haviam sido igualmente incompreensíveis".
Trabalho sobre afasias - novo tipo de estudo para problemas funcionais que "simulam" alterações topográficas, portanto um novo enfoque epistemológico

*Anna O.*
Histeria, histérico(a): produção mental em oposição a sintoma orgânico (depois de Freud, toda uma construção complexa de estrutura e dinâmica psíquicas mediante a influência de fatores internos e externos, conscientes e inconscientes, egoicos, instintivos e superegoicos. Uma neurose. Seria o mesmo com a esquizofrenia/psicose?)
Pelos sintomas descritos no terceiro parágrafo da pág. 24, Anna O. poderia ser diagnosticada (pelo DSM-IV) com Transtorno no Humor Bipolar tipo II, com ciclagem rápida e Transtorno de Conversão. Era psicótica e neurótica. Aff...
Estados psíquicos propícios à encenação de situações ainda não adequadamente elaboradas, seja por terem sido excessivas ou por incompetência egoica. Há "uma limitação da consciência e uma compulsão a associar semelhante àquela que ocorre nos sonhos" (vol II, p. 142)
Possibilidade de coexistência entre lucidez de consciência e inconsciência psicológica lacunar devido a um duplo, concomitante, nem sempre paralelo, mas sim interseccional, funcionamento mental (p. 25)
"O que os psiquiatras chamas de psicose instalada nada mais é do que a adaptação do ego à vivência psicótica em si ou, em outra terminologia, é a expressão do funcionamento mental que passou por uma experiência de desorganização" (p. 26, cronica?)

"em ambos os casos [de neurose] até aqui considerados, a defesa contra a ideia incompatível era efetuada separando-a de seu afeto; a ideia permanecia na consciência, anida que enfraquecida e isolada. Há, entretanto, uma espécie de defesa, muito mais poderosa e bem sucedida. Aqui o ego rejeita (verwerfung?) a ideia incompatível juntamente com seu afeto e comporta-se como se a ideia jamais lhe tivesse ocorrido. Mas a partir do momento em que tenha conseguido, o sujeito encontra-se numa psicose, que só pode ser qualificada como confusão alucinatória" (Vol. III, parte III, as psiconeuroses de defesa, a alucinação positiva é trabalho da alucinação negativa do verwerfung?)

-Esmagamento ou aniquilamento do ego por sentimentos (em outros momentos, ideias) inconscientes, sobre as alucinacoes corresponderem à irrupção de pensamentos insconscientes, sobre as interpretacoes autorreferentes destes pacientes se relacionarem ocm lembranças reprimidas e a ideia de que a psicose desfaz sublimacoes e identificações" (p. 27)

Autoacusações – “obsessões correspondiam ao retorno de autoacusações reprimidas pela autodesconfiança e pela conscienciosidade, enquanto que nas psicoses as autoacusações seriam reprimidas pela projeção, retornado na forma de delírios e alucinações Assim, sintomas de retorno do reprimido, os delírios e as alucinações eram entendidos como autoacusações que retornavam sob a forma de pensamentos ditos em voz alta, distorcidos e deslocados no conteúdo e no tempo. Os sintomas de defesa secundária eram os delírios interpretativo, responsáveis pela alteração do ego.

Diretamente relacionadas à consciência de si, Freud considerava as autoacusações como uma decorrência natural da emergência de ideias incompatíveis com a representação que o indivíduo tinha, ou se esforçada por ter, de si mesmo. Através dos sonhos Freud começou a revelar o conteúdo destas não mais ideias, agora desejos”(p. 27).

“Segundo suas observações, qualquer pessoa dependendo de sua predisposição, da situação emocional do momento e da forca traumática da situação em si, poderia apresentar a sintomatologia decorrente da invasão abrupta do processo primário de pensar na consciência” (p. 28)



Verwerfung - rejection, dismissal *recusa*
Verneinung (synonym to leugnung) - negation, negative
Verleugnung - re-negation (?), denial, disownment *rejeição






Gradiva de Jansen
Freud: “Em primeiro lugar, o delírio pertence ao grupo de estados patológicos que não produzem efeitos diretos sobre o corpo, mas que se manifestam apenas por indicações mentais. Em segundo lugar, é caracterizado pelo fato de que nele as 'fantasias' ganharam a primazia, transformando-se em crença e passando a influenciar as ações” (vol. 9, p. 51). O ato de Hanold não se interessar mais pela vida estava relacionado ao abandono do amor infantil, e este fato é o delírio, a crença desenvolvida a partir da primazia da fantasia: compulsão à repetição do processo primário de pensar.

Tenenbaum: “Para começarmos a retirar o véu de confusão em relação às psicoses, é necessário não mais identificarmos psicose com surto psicótico, agitação psicomotora ou qualquer outro quadro agudo. O delirante não é necessariamente um ser sem capacidade cognitiva, mentalmente inarticulado ou incapaz de viver a vida, embora possa apresentar, e geralmente apresenta, algum comportamento bizarro” (p. 30).
Freud: “não é preciso que uma pessoa sofra de um delírio para se comportar de maneira análoga. Ao contrário, uma pessoa, mesmo saudável pode com frequencia enganar-se quanto aos motivos de um ato, tomando consciência dos mesmos só depois do evento” .


Freud
"desenvolve o raciocínio de que estas experiências (de ser vigiado) nada mais seriam do que projeções na realidade (com a finalidade análoga à repressão) de um agente crítico existente no ego, o ideal do ego, cuja função exposta pela primeira vez neste rtigo, é a de vigia dos padrões  éticos e morais da humanidade. Estamos cansados de ver pessoas  culturalmente importantes sem o menor padrão ético e moral, assim como pessoas culturalmente importantes com graves problemas egóicos e pessoas egoicamente inteiras, mas sem a menor expressão cultural".
"Afinal, a idéia a respeito do alto preço que se paga para ser ético e culturalmente participante é antiga em Freud. Talvez ele  sentisse assim..."
"condicionar  os desejos, as motivações, os comportamentos e as relações humanas a um questionável objetivo energético com um fim em si mesmo".
(p.40)

"Aqui, realçando a relação com o ego, a psicose passa a ser chamada de neurose narcísica"


"A realidade não é remodelada ou reconstruída. Apenas fragmentos dela - *exatamente aqueles relacionados à experiência existencial (real ou mental) intolerável, por isso mesmo rejeitada (verleunung) ou recusada (verwerfung)* - são interpretados e reinterpretados delirantemente. (...) o delírio é o resultado da articulação entre processo primário e processo secundário feita por um ego em algum grau desorganizado, em outras palavras, é o retorno do reprimido administrado por um ego que passou pela experiência de desorganização. (...) o afastamento da realidade nas psicoses é secundário à derrota do ego frente ao id. É a deformação do ego acarretada pela invasão do processo primário depensar que torna ievitável a deformação da realidade" (p. 70)

"Lacunas cognitivas, verdadeiros vazios intrapsíquicos, que além de tornar o ego parcialmente incapacitado, podem ser preenchidos por elementos do Processo Primário de Pensar, criando verdadeiros núcleos psicótiocs, os quais podem ser acionados por circunstâncias específicas da convivência (interação ambiental) provocando crises psicóticas (não necessariamente uma psicose) (p. 88, sobre Eksterman, A (1986). Lacunas Cognitivas no Processo Psicanalítico, Boletim Científico da Sociedade Brasileira de Psicanálise, n. 6).

O pricótico retira ou desvia seu interesse na realidade? "O psicóticonao deixa de se relacionar com a realidade, apenas o faz de maneira  peculiar. (...) A mairoia doas seres humanos relaciona-se, na maior parte do tempo de sas vidas, trliangularmente (pessoas e coisas [mas eu diria pessoas e leis]), enquanto que os psicoticos relacionam-se diadicamente com a realidade (pessoas e coisas) quase o tempo todo" (p. 93)