Explorações psicanalíticas, 1963-1968, pp. 170-191.
"O princípio é que é o paciente, e somente ele quem tem as respostas" (p, 171-172).
Borderline: "o cerne do distúrbio do paciente é psicótico, mas ele possui sempre suficiente organização psiconeurótica para ser capaz de a´resentar uma psiconeurose ou um transtorno psicossomático quando a ansiedade psicótica central ameaça irromper de forma grosseira".
Relação com objetos
Catexoa: o objeto se torna significante, o sujeito está esvaziado a um ponto em que algo dele é encontrado no objeto (a pulsão que o originou).
O uso do objeto demanda um objeto real (e não um feixe de projeções).
Princípio da realidade
capacidade de usar objetos
------> colocação, pelo sujeito, do objeto como fenômeno externo, fora do controle onipotente.
~~~o objeto tem estatuto de um objeto por si próprio.
O sujeito destroi o objeto.
Relacionar-se ----> destruir -------> o objeto sobrevive ------> FANTASIA E USO
(subjetivo) (objetificar)
Um objeto que é destruído por ser real e se torna real por ser destruído.
"Enquanto o sujeito não destroi o objeto subjetivo (material de projeção), a destruição aparece e se torna um aspecto central na medida em que o objeto é objetivamente percebido e pertence à realidade 'partilhada'" (p. 174).
A destruição desempenha seu papel de construção da realidade, situando o objeto fora do self. Se o objeto sobrevive após a destruição, ou seja, não retalia, o indivíduo pode entender esse objeto como algo não eu (e minimamente persecutório), situado fora do controle onipotente, do lado de fora, no mundo.
"Se fôssemos melhores em diagnóstico, pouparíamos a nós mesmos e a nossos pacientes um bocado de tempo e desespero" (p. 182).
Evoluções do processo de feitura da dissertação de Mestrado em Psicologia Clínica e Cultura: Psicose e Sofrimento Psíquico Grave: as primeiras crises psicóticas pelo método de Rorschach.
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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Ensaio Rorschach, psicodiagnóstico e psicopatologia
Para o corpo de Berenice
Ou o coração Wall Street
Para o último tempo
Ou a primeira dose de tóxico
Para dentro de si
Ou para todos
Para dentro de si
Ou para todos
Pra sempre todos emigram.
(Alberto da Cunha Melo, 2001)
É frequente que, em face de uma dor ou grande angústia, nossa primeira tentativa de enfrentá-la aconteça numa visita ao médico. Acostumados como estamos com esta rotina, procuramos o doutor e tentamos relatar-lhe com o maior detalhamento possível tudo aquilo que consideramos sintomático, indicial, causal, enfim, importante. O doutor nos olhará por cima de suas grossas lentes, auscultará nosso coração e nos recomendará uma série de exames. Caso a dor esteja relacionada a um problema banal, podemos ter a sorte de sair do consultório com um diagnóstico e um receituário, em poucos minutos. Aliviados, buscamos então o farmacêutico e voltamos para casa com a sensação de que a angústia irá embora. Em grande parte dos casos, ela realmente se aplaca (ao menos em relação a este problema específico) e podemos continuar a tocar a vida. A gripe ou o pé quebrado nos incomodará ainda por um tempo, mas logo isto será superado. Talvez carregaremos uma cicatriz que servirá de lembrança para usarmos precauções e aprendemos com nossos erros. Somos mais fortes agora.
Em alguns momentos da vida, no entanto, a dor vivenciada é de outra sorte. Pode ser que a simples descrição de sintomas indiciais, desconfiança ou perda de apetite, não seja suficiente para que o doutor entenda e qualifique a angústia. O médico nos olha com espanto e, diante de nossa angústia, revisando os resultados de vários exames fisiológicos, nos diz: “você não tem nada”. A visita ao consultório muito pouco aplaca a angústia. Martins (2005) lembra que o paciente clínico, em sua formulação queixosa, reconhece explicitamente a importância de eventos encobertos, não somente encobertos pela pele ou pela camada de seus músculos, mas de algo ainda mais profundo. Ao dizer que o médico, os pais ou a sociedade não entendem o que ele sente, o indivíduo angustiado reclama a qualificação de fenômenos realmente invisíveis.
Nos manuais de psiquiatria, há o repetido enfoque no sintoma psíquico como perda de funcionamento, mal-estar, desadaptação. Ora, a adaptação é ligada à ideia de uma realidade empiricamente verificável. Se ao psiquiatra é possível dizer que, de fato, há uma realidade lá fora, a conclusão lógica é que o indivíduo deverá dispor de recursos cá dentro para adaptar-se a ela. Do ponto de vista das ciências naturais, no melhor viés positivista, a norma é obtida a partir de experimentações empíricas da natureza, é marca da regularidade dos fatos e fenômenos investigados. A ciência médica diz que dor no peito indica problemas cardiovasculares. Investigadas as causas e efeitos, por meio dos instrumentos adequados, se pode planejar a intervenção que trará alívio e saúde.
No entanto, quando a dor no peito é por conta de um coração partido, a metáfora corporificada não pode ser investigada pela instrumentação médica tradicional. É necessário ir além, pois a causa dessa dor é invisível.
A medicina tradicional, ciência natural por excelência, adota critérios de normalidade que, no mais das vezes, remetem dados normativos, estatísticos. A identificação de síndromes, por exemplo, é fundada na frequência estatisticamente relevante do aparecimento dos mesmos sintomas em condições semelhantes e em um número significativo de casos. Contudo, em medicina “mental”, a adoção de critérios estatísticos puros é enganosa. Isto porque a relevância estatística de um sintoma ou grupo de sintomas é um critério lógico para a descrição de normalidade ou adaptação. Estes critérios lógicos dirigem o pensamento do médico em na realização de um julgamento diagnóstico, terapêutico.
A norma para comportamentos e modos de vida, para emoções e formação de pensamento, todavia, não pode ser aplicada da mesma maneira que a norma para os compostos da estrutura óssea. Quando a queixa está relacionada a fenômenos internos, invisíveis, a aplicação puramente lógica da norma implica o caráter ideológico e narcísico de quem fará o julgamento. Martins (2005) salienta que este fazer “é também largamente conhecido como um critério autoritário e narcísico. Julgar o outro a partir de si mesmo não deixa de ser uma insistente projeção de si mesmo sobre os outros” (p. 104). A norma aproxima-se da lei e adquire uma conotação moral facilmente detectável.
A medicina tradicional ainda olha para o louco com estupefato. Seu sintoma, sua angústia, indica um oposicionismo que afronta a realidade tal como o cientista positivista a concebe: como uma realidade dada, comum e compartilhada. Aquele que se opõe a ela o faz por perceber uma realidade social injusta e a necessária alteração de seus ditames. Ele precisará, no entanto, da proteção do manto da história para se tornar um grande homem. Os santos maiores são comumente denominados os “loucos de Deus”, em uma radicalidade transformadora. Contudo, esses “loucos” não vivenciam, necessariamente, desintegração ou perda de funcionamento. São, sim, desadaptados e podem vivenciar muito mal-estar. No entanto, não estão doentes, por mais não-normais pareçam ser.
Algo semelhante ocorre com pessoas em crise. Ao procurar pela primeira vez o consultório do médico, foram mobilizadas por um forte estranhamento, a sensação avassaladora que, de fato, há algo errado. Estando algo errado, estranho demais, lhes advém a angústia como o impulso em face da urgente necessidade de mudança. De fato, a radicalidade e a extrema dor que comumente acompanham os estados de crise não são fáceis de entender. Ao ouvir o discurso estranho da pessoa em crise, “surtada”, a família, o médico e o seio social mais imediato realmente “não sabem” como ela se sente. O reducionismo costumeiro faz com que seu sofrimento seja identificado como uma doença. Há algo errado dentro do sujeito que sofre. O uso indiscriminado de medicação psiquiátrica pode estar associado à necessidade de embotar grande parte da vivência afetiva na crise. Este procedimento responde a uma dupla justificativa: a hipótese de organicidade da “doença mental” em vias de se instalar e a necessidade de controle de comportamentos potencialmente danosos para o sujeito e para seu meio.
O paciente que “não sabe (será?), mas sente” e o médico que “não sente, mas (em tese) sabe”.
A tentativa feita pela psiquiatria é de descrever e compreender o fenômeno psíquico a partir do mesmo olhar da medicina somática. A esperança é de que, quando os avanços tecnológicos o permitirem, a descrição sintomatológica das síndromes “mentais” encontrará sua etiologia fisiológica, numa determinante finalmente neuroanatômica. A “alma” estará localizada em sua morada final: o sistema nervoso.
Numa reflexão epistemológica, Gaston Bachelard questiona o conhecimento do real pelo cientista moderno (1978). Se o conhecimento do real, pelo psiquiatra moderno, toma a dupla rubrica do pitoresco e do compreensível no louco, o sentido epistemológico psiquiátrico vai do racional ao real e a aplicação de seu método científico é essencialmente realizante. Falar de um quadro nosológico em um instante da experiência humana é entregar-se à escolha de um estado, entre uma infinidade de outras escolhas aparentemente arbitrárias. Se o paciente não responde, se ele se cala, o psiquiatra poderá conhecer que ele não fala e reconhecer que ele entrou em carreira psicótica. “Mas reconhecer não é conhecer. Facilmente se reconhece o que não se conhece” (Bachelard, 1978, p. 145).
As escolhas do psiquiatra são aparentemente arbitrárias. Aparentemente, porque o cientista psiquiátrico há de escolher as variáveis segundo critérios ancorados em sua prática. Interesses políticos, econômicos e sociais estão envolvidos na própria “escolha” do positivismo como referencial de ciência. As variáveis são hierarquizadas segundo sua possibilidade de controle, sua previsibilidade e em que medida os resultados podem ser replicados. Um cientista normal, fora de uma crise ou revolução epistemológica, não é crítico do paradigma em que trabalha (Chalmers, 1993). Ele faz uso de categorias, classificações nosográficas, que não necessariamente existem. De fato, elas foram tornadas reais pela aplicação do raciocínio científico e pelo reconhecimento da psiquiatria.
Michel Foucault (1975, 1978) questiona o posicionamento da psiquiatria tradicional. Ele argumenta que os modernos perderam o contato puro com a loucura. Esta aparece como um monólogo da razão, por mais que as duas tenham origem ontológica diferente. A experiência da loucura, ao contrário, se relaciona a partir da determinação social. Em sua investigação sobre a transformação histórica do trato e da experiência da loucura, da excentricidade ao silenciamento, Foucault pontua que a loucura se torna o contraponto da razão, se torna desrazão. Com a psiquiatria, se a loucura é doença, a razão é saúde. O anormal preenche os critérios da psiquiatria, os quais são classificações construídas no seio social. Para os modernos, o discurso do louco é uma alteridade radical e inacessível, a qual somente tem como referência de acesso a classificação científica.
Para ele (1975), o manual diagnóstico dos transtornos mentais tenta, com grande esforço, aplicar os mesmos conhecimentos da medicina somática ao que se entendeu por doença mental. A psiquiatria estabelece um paralelismo abstrato entre as duas formas de adoecimento, mental e físico. Neste processo, se perde a noção que este paralelo, esta simetria entre o somático e o psíquico, entre o corpo e a mente, é uma metáfora. O psiquiatra tradicional toma a metáfora da “doença mental” na literalidade, a partir da perspectiva científica positivista, que fundou a medicina moderna. Comparará os sintomas de seu paciente à norma, poderá prescrever a seu paciente o receituário dos psicotrópicos, mas ainda não qualificará seus eventos internos. Mas este trabalho reducionista não abarcará a complexidade da loucura, uma vez que a psicologia da personalidade não ofereceu à psiquiatria a mesma contribuição que a fisiologia forneceu para a medicina somática.
Thomas Szasz (1960, 1979) critica a “verdade mentirosa” (lying truth) da psiquiatria. Para ele, a história da psiquiatria é perpassada por construtos falaciosos e o principal deles é o próprio termo doença mental. Ele aponta a confusão epistemológica presente no dualismo simétrico entre sintomas mental e físico na metaforização do cuidado médico ao sofrimento psíquico. A noção de sintoma mental é intrinsecamente relacionada ao contexto social em que ele é fabricado, dado que rotular a fala de uma pessoa como um sintoma mental envolve a atribuição do julgamento do médico, a comparação entre as ideias e crenças do referido “paciente” e as do observador, ambos inseridos em uma cultura e numa história.
O que o psiquiatra considera como doença mental são comunicações, expressão de ideias quiçá inaceitáveis, organizadas em uma fala não usual, incomum. A categorização psiquiátrica refere a eventos privados, sociopsicológicos, a respeito dos quais o observador (quem faz o diagnóstico) também forma compromisso. Neste sentido, Szasz aponta para a especificidade ética necessária na reflexão da psiquiatria sobre suas próprias práticas, particularmente quando é envolvida a dimensão coercitiva.
A partir das classificações sindrômicas dos comportamentos, a psiquiatria tradicional não faz senão aumentar o fosso social existente entre normais e anormais, quando a única diferença entre eles é a convencionalidade das metáforas utilizadas em sociedade. Este raciocínio tautológico (é doido porque age feito doido) torna difícil a distinção de etiologia e semiologia. Cada sutileza no comportamento do paciente ganha um novo título, uma taxonomia sígnica que aparentemente refere à realidade, julgada no saber médico da época e a partir de ordens políticas imperantes as mais diversas. A palavra passa pela assepsia da semiologia clínica, a desconfiança e a angústia viram sintomas possivelmente neuronais e a prática coercitiva da psiquiatria demove o ser humano diferente, não-normativo, de sua linguagem e humanidade.
Ileno Costa (2003) argumenta, com Szasz, que a perspectiva médica atrela a loucura a um absurdo lógico, pertencente tão somente ao indivíduo doente e que demanda uma resposta da sociedade. Ao isolar a doença mental, o psiquiatra não identificou apenas mais um tipo de doença, mas justificou a prática estabelecida de confinar loucos mediante a hospitalização compulsória. Uma vez reconhecida a doença, a institucionalização deve ser decidida. Por óbvio, esta decisão não cabe ao sujeito “doente mental”. O reconhecimento da doença, desde o início, foi um ato coercitivo.
Em Psicopathologia I – Prolegômenos (2005), Francisco Martins reabre o estudo da psicopatologia, em uma problematização que foi esquecida e empobrecida por soluções tranquilizadoras, comuns à modernidade, quando a avidez se direciona à posse de princípios que afastem a dúvida e o desespero. Sua obra busca tudo aquilo que tem facticidade como elemento essencial da psicopatologia. O autor qualifica o pathos, com Heidegger, como manifestação de uma realidade existencial, “um modo de ser momentâneo, duradouro ou permanente, carregado de subjetividade e capaz de comunicação intersubjetiva” (p. 37). De fato, ao traduzir pathos como disposição afetiva fundamental, a psicopathologia permite a consideração da loucura como um destino possível da experiência humana. O pathos carrega, ao mesmo tempo, a possibilidade de perda de harmonia e as formas mais sublimadas da existência.
Costa (2010a) salienta que o sofrimento psíquico, alvo da classificação psiquiátrica, é experiência de angústia, sempre presente na vivência humana. Este autor refere à ambiguidade e aos vários sentidos presentes nas manifestações do que é o sofrimento psíquico, que perpassam valores culturais, compreensões filosóficas e éticas do que é próprio do ser humano. Para ele, o discurso médico deve passar pela crítica de sua visão do que é signo sintomatológico. A palavra louca, diferente da febre, é portadora de sentido afetivo e comunica, associa interlocutores. Sempre presente nas construções e relações humanas, a desorganização de natureza páthica não é necessariamente negativa ou paralisante. Chico Science, poeta e compositor pernambucano, o refere de maneira contundente ao afirmar “que eu desorganizando, posso me organizar/ que eu me organizando, posso desorganizar” (1994).
Hermann Rorschach, em seu experimento de interpretação de formas fortuitas (1921/1967), elaborou os princípios de uma técnica de psicodiagnóstico que ia além da anamnese sintomática e o agrupamento sindrômico. Ao apresentar as manchas de tinta aos pacientes, ele pôde acessar um funcionamento interno que, de alguma maneira, estava relacionado aos sintomas apresentados. O obsessivo, com suas ideias fixas e seus rituais rígidos, apresentava muitas cinestesias e poucas cores, em um estilo de vivência introversivo, dominado pelo pensamento e desajeitado para as relações interpessoais. A prova das manchas de tinta não indica “o que ele experimenta, mas como ele experimenta. Internamente conhecemos grande parte das qualidades e das disposições, tanto de natureza associativa como afetiva ou ainda de natureza mista, com as quais o examinado se mantém na vida” (p. 90, grifos do autor). Mais ainda, Rorschach, a partir de seu experimento e, certamente também da influência da psicanálise, entende que “somente o impulso transforma os ‘momentos’ disposicionais em tendências ativas” (p. 91).
Ao longo de seu texto, todas as vezes que ambicionou descrever quais seriam as características normais ou ideais de um indivíduo, descobria a impossibilidade de uma recomendação geral. Questões culturais, étnicas, raciais, relacionadas à profissão e constituição social do indivíduo, demandariam ajustes. O que é problemático para uns muitas vezes possibilitava a qualidade específica de uma pessoa. Assim, uma pessoa normal idealizada seria alguém “coartado”, ou seja, desprovido dos recursos de enfrentamento facilmente evocados por obsessivos, histéricos ou psicóticos e, ainda assim, profundamente afetada pelo sofrimento.
Segundo John Exner (2003), o Rorschach dá maior ênfase à personalidade do indivíduo, em vez de sistematizar os comportamentos. Este tipo de informações vai além do enfoque sindrômico na sintomatologia e etiologia. É fornecido um recorte atual das condições psíquicas e relacionais do indivíduo e fundamenta o psicodiagnóstico profundo e complexo, consistente com a visão da psicopatologia crítica. Além disto, a própria natureza do método leva a pessoa a interpretar a mancha a partir de seu próprio arcabouço de recursos e demandas. Assim, ela é levada a uma situação de resolução de problemas ambíguos, dos mais simples aos mais complexos, sempre ligado à sua própria integridade pessoal, a sua história pessoal e a seu padrão de relacionamentos (Yazigi & Gazire, 2002).
O psicólogo dispõe de ferramentas várias, para além das utilizadas pela psiquiatria tradicional. Dentre elas, as técnicas projetivas, como o método de Rorschach, podem auxiliar na construção de um psicodiagnóstico que seja da especificidade do psicólogo. Tais instrumentos permitem que os eventos invisíveis sejam qualificados. Esta qualificação orienta o olhar do clínico para algo além dos comportamentos, para além da superfície. Mesmo sem oferecer grandes garantias, as contribuições da psicanálise permitem ao psicólogo considerar a causalidade psíquica como uma possibilidade da loucura. E que a loucura também é busca de saúde. O paranoico não deseja, em sua queixa, se livrar da desconfiança que ele tem do perseguidor. A desconfiança é o que o protege, garante minimamente sua vida. Ele quer é se ver livre do perseguidor. Para se tornar um “tu” verdadeiro, interlocutor do sintoma, da personalidade, do discurso, do ser louco, o psicólogo há de não mais se unir a “eles”. Ele deve virar algo parecido com o “eu” louco: um humano, afinal.
REFERÊNCIAS
Bachelard, G. (1978). A filosofia do não; O novo espírito científico; A poética do espaço. São Paulo: Abril Cultural.
Chalmers, A. F. (1993). O que é ciência afinal? São Paulo: Brasiliense.
Chico Science e Nação Zumbi (1994). Da Lama ao Caos. São Paulo: Chaos/ Sony Music.
Costa, I. I. (2003). Da Fala ao Sofrimento Psíquico Grave: Ensaios acerca da Linguagem Ordinária e a Clínica Familiar da Esquizofrenia. Brasília: ABRAFIPP.
_________. (2010a). Crises psíquicas “do tipo psicótico”: distanciando e diferenciando sofrimento psíquico grave de “psicose”. In: Costa, I. I. (Org.). Da Psicose aos Sofrimentos Psíquicos Graves: Caminhos para uma Abordagem Complexa (pp. 57-63). Brasília: Kako Editora.
Exner, J. E. (2003). The Rorschach: A Comprehensive System. Hoboken, HJ: John Wiley & Sons.
Foucault, M. (1975). Doença mental e psicologia. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro.
__________. (1978). História da loucura. São Paulo: Perspectiva.
Martins, F. (2005). Psicopathologia I – Prolegômenos. Belo Horizonte: PUC Minas.
Melo, A. C. (2001). Canto dos Emigrantes. In: Pinto, J. N. (Org.) (2001). Os Cem Maiores Poetas Brasileiros do Século. São Paulo: Editorial.
Rorschach, H. (1921/1967). Psicodiagnóstico. São Paulo: Mestre Jou.
Szasz, T. (1960). The myth of mental illness. The American Psychologist, 15, 113–118.
______. (1979). The lying truths of psychiatry. Journal of Libertarian Studies, 3(2), 121-139.
Yazigi, L. & Gazire, P. (2002). Avaliação cognitiva e Rorschach. Psico-USP, 7(1), 109-112.
Psicodiagnóstico e Psicopatia na Contemporaneidade
A reforma psiquiátrica ainda não chegou aos presídios. Ali a força parece ser outra. Ali os “loucos” são descritos como criminosos perigosos e irrecuperáveis e não simplesmente uns coitados doentes que se encaminham à demência, que nada sabem e nada podem. Ao contrário, o psicodiagnóstico inclui características notadamente lúcidas, deliberadas e longe da descrição de um incapaz ou alienado, como o esquizofrênico é frequentemente descrito. O psicopata, ao contrário, potencialmente tudo sabe e tudo pode.
Respostas mágicas, prontas, finais, inabaláveis e absolutas parecem mais reações ao medo do que construções científicas. O século XXI, ainda no início, já possui em si o vislumbre de que a modernidade não atingirá seu objetivo dourado: alcançar a verdade final sobre a natureza e sobre o ser humano. Ao contrário, um pensamento mais radical pode afirmar que jamais sequer fomos modernos (Latour, 1994) e que o pós, anti ou neomodernismo, a contemporaneidade, deverá sempre se confrontar com o seu limite mais assustador: não há garantias.
Grande é a transformação da filosofia da ciência, da psicologia e da psiquiatria em decorrência dos últimos desenvolvimentos filosóficos, políticos e sociais. A fenomenologia, a declaração dos direitos humanos, a epistemologia da subjetividade, a reforma psiquiátrica, tudo se encaminhou para a denúncia dos saberes como consolidadores de discursos e práticas excludentes, violentas. A antipsiquiatria apontou os problemas da metateoria biológica, reducionista e determinista que fundamentava a nosografia clássica. Teorias recentes denunciaram o paralelo absurdo desenvolvido entre sintoma mental e físico e também pôs em evidência a necessidade de considerar o ser humano como um inteiro, integrado, determinando e determinante de seu meio, seus micro e macrossistemas. É estranho ver como a mesma ciência, a psiquiatria, parece ter tido tão poucas transformações no contexto da criminologia, local onde produziu tantos saberes que subsidiam tantas práticas. Na interseção entre os saberes médico-psiquiátricos e jurídicos, a reforma psiquiátrica parece não ter chegado.
A psicologia, ciência moderna, defrontou-se com sua contradição básica: aplicar ao ser humano os critérios e postulados utilizados nas ciências naturais, ao mesmo tempo em que, moderna, declara o homem e a natureza coisas essencialmente distintas.
A ideia de uma precisão objetiva e quase matemática no domínio das ciências humanas não é mais conveniente se o próprio homem não é mais da ordem da natureza. Portanto, é a uma renovação total que a psicologia obrigou a si própria no curso de sua história; ao descobrir um novo status do homem, ela se impôs, como ciência, um novo estilo (Foucault apud Yamada, 2009).O nascimento da criminologia como o estudo sobre o autor do crime trouxe a psicopatologia para a criminologia. O crime seria um "fenômeno como um dado ontológico preconstituído à reação social e ao direito penal" (ibid., p.37).
O interesse na metateoria positivista e na teoria biológica do comportamento constitui a psicopatologia como a ciênica que valida o discurso sobre o criminoso e as práticas adotadas sobre ele. Há, com o nascimento da escola degeneracionista da psiquiatria, a combinação entre norma e repressão: mais do que explicar o que é o criminoso, a psicopatologia legitima o que a justiça faz com ele.
Mais do que uma violação à lei, o crime passa a ser a manifestação da personalidade do criminoso. O criminoso é enlouquecido como uma forma de poder violenta sobre ele.
Um psicopata assim diagnosticado pode ser identificado como "um inimigo irremediável para as pessoas e a separação permanente da comunidade pela via da prisão parece ser a única alternativa prudente" (Morana et al apud Yamada, 2009). É escandalosa a comparação possível com a hospitalização prolongada do esquizofrênico, à exceção de que, com os psicopatas, não há sequer a promessa não cumprida de tratamento psi.
Demanda de mudanças no processo de psicodiagnóstico: retomada de critérios psicométricos seguros, viabilidade científica definitiva do conceito e identificação da psicopatia. A qual tipo de relações de poder o desenvolvimento deste saber está vinculado?
Para Latour não há divisão entre ciência de um lado e política do outro. Os ‘achados’ científicos e a qualidade da referência de uma ciência vêm da sua capacidade de atrair interlocutores, da habilidade de interessar e convencer os outros (ibid., p. 48).Ao contrário dos hospícios, no entanto, as prisões respondem de maneira reacionária contra os ideais da reforma psiquiátrica. A ciência como ferramenta de verdade indubitável pode ser politicamente importante na área da saúde mental. Parece-me que se trata antes da manutenção ou renovação de ideais modernos que estavam aí desde o final do século XIX, apenas aguardando pela aparelhagem técnica adequada. A modernidade trouxe esperanças finais de controle, clareza e descrição de leis gerais, universais. Seja lá o que as ressonâncias magnéticas digam, quem lê é o mesmo cientista moderno cheio de jargões incompreensíveis, na construção de um saber que responde na relação de poder e nas demandas políticas da sociedade. É o mesmo cientista que, mais do que saber sua ciência, deve saber "vender" sua ciência. O sistema jurídico-criminal e penal parece estar mais interessado em comprar a ciência que forneça garantias a suas práticas. É a manutenção da hegemonia, o silenciamento dos excluídos e a política do medo, todas juntas, contra uma população numérica e empaticamente minoritária: os criminosos. A relação da justiça com o criminoso é de um poder violento e soberano, que implica à ciência um papel fundamental de onisciência e onipotência. Ao criminoso é dada a inversão da frase bíblica: se Deus é contra vós, quem será por vós?
A partir da metade do século XVIII emerge uma série de controles regulares que incidirão também no corpo, por meio de intervenções com base nos processos biológicos no nível da saúde e da duração da vida - uma biopolítica da população. (...) Algumas formas de controle e mecanismos de normalização operam através da figura do criminoso e do desviante e se inserem na noção de biopoder proposta por Foucault e seus dois braços: medicalização e judicialização (ibid., p. 48).
Os homicidas encarcerados são amostra da população de homicidas. Ao investigar e descrever os assassinos presidiários, ou seja, aqueles criminosos que tiveram julgamento e pena por seu crime, se descreve como funcionam as pessoas que foram "pegas", ou seja, que foram denunciadas, julgadas e punidas. Como estipular leis gerais de funcionamento sobre o "psicopata" com dados de uma amostra tão ínfima da população?
O conceito de psicopata é formulado à maneira das ciências naturais em conjunção com bases morais óbvias, o próprio conceito "testilha com a realidade do mundo fenomênico" (Thompson apud Yamada, 2009, p. 48). É impossível conceituar o crime como fenômeno natural. Este é um fenômeno irredutível a operações de descrição, medição, classificação e experimentação. Mas o criminoso, sim, o é, através da psicologia positivista.
No mais lato sentido, pode-se afirmar que todos os crimes são crimes políticos, uma vez que todas as proibições com sanções penais representam a defesa de um dado sistema de valores, ou de moral, no qual o poder social prevalente acredita (Schaver apud Yamada, 2009, p. 50).
Referências
Latour, B. (1994). Jamais Fomos Modernos: Ensaio de Antropologia Simétrica. Rio de Janeiro: 34 Literatura.
Rauter, C. (2003). Criminologia e Subjetividade no Brasil. Rio de Janeiro: Revan.
Yamada, L. T. (2009). O horror e o grotesco na psicologia - a avaliação da psicopatia através da escala Hare PCL-R (Psychopathy Checklist Revised). Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal Fluminense, Instituto de Ciências Humanas e Filosofia, Departamento de Psicologia.
sábado, 10 de setembro de 2011
O que são pródromos?
O conceito de psicose é frágil. Ainda trabalha com a questão do estranhamento e distanciamento do convencionalmente concebido. Determinar o limiar para psicodiagnóstico de PSICOSE não é fácil. Uma série de considerações ainda carecem de explicitação, e não tenho uma teoria fechada que funcione, como a de Freud para a neurose. A foraclusão de Lacan não me pertence e a teoria do amadurecimento de Winnicott ainda está muito longe.
Mas de qualquer forma, a visão estruturalista de personalidade psicótica é uma coisa. Considerar pessoas em primeiras crises DO TIPO PSICÓTICA (leia-se loucura insipiente) não quer dizer identificar estruturas de personalidade semelhantes. Há diversas estruturas diferentes, inclusive estruturas neuróticas ou com transtorno de caráter, que manifestam sintomas referidos como psicóticos.
Na abordagem psiquiátrica da intervenção precoce, estes são parte da queixa, e por isto são considerados sintomas. Mas eles dão também importância a sinais de estranhamento, comuns a pessoas que podem desenvolver sintomas psicóticos. Os sinais não chegam a ser sintomas psicóticos, e podem não ser precursores ou preditores. Resta saber, para a psiquiatria contemporânea, se eles podem ser agrupados em síndrome. Tem-se utilizado o termo pródromos para estes sinais e sintomas. São considerados precursores do espectro sindrômico de mais frágil conceituação, que é a psicose. Não espere que sua conceituação seja fácil. Psiquiatras na pesquisa sempre têm de partir de bases muito mal estruturadas para elaborar seus conceitos, já que são médicos e não podem contar com etiologias derivadas dos sistemas anatômicos ou da fisiologia.
Os psicanalistas nadam em construtos abstratos, e os lacanianos então, incompreensíveis. São de boa definição conceitual e operacional para os iniciados. Mas não dão respostas definitivas. Diferentes estruturas de personalidade apresentam manifestações comportamentais (sinais) e queixas (sintomas) semelhantes. Compreendê-los na especificidade não é verificar o que têm de mais semelhantes uns com os outros (como o faz a psiquiatria ao estruturar síndromes), mas o que têm de mais diferente e específico na individualidade.
Meu caminho, no entanto, é tomar parte do método psiquiátrico, o nomotético, mas na construção de uma constelação de SINAIS DE PERSONALIDADE presentes em um método projetivo que descreve o que estas pessoas têm, afinal, de semelhante. Estes sinais seriam compreendidos a partir de uma perspectiva psicanalítica de personalidade (Winnicott? Ambiente e processos de maturação? Teoria das relações objetais?) e a constelação pode levar à elaboração de estratégias de intervenção, tratamento e cuidado específicos para esta clientela. Ou para questões aonde a atenção deverá se direcionar, num primeiro momento, em programas que atendam esta clientela.
Claro que não existem blocos fechados de intervenções psicoterapêuticas, mas algumas sugestões sobre as especificidades de um grupo que compartilha semelhanças importantes (de alguma forma foram considerados loucos ou psicóticos) podem auxiliar na busca das idiossincrasias. Afinal, somos mais semelhantes do que diferentes, de fato, e a impossibilidade de encontrar estas semelhanças entre pessoas pode ser fator que influencia sobremaneira o isolamento e o retraimento (a loucura ou psicose).
No fim das contas, discordamos mais que nos entendemos. Quanto mais acumulamos conhecimento, mais nos confundimos. Mas assim caminha a humanidade.
Mas de qualquer forma, a visão estruturalista de personalidade psicótica é uma coisa. Considerar pessoas em primeiras crises DO TIPO PSICÓTICA (leia-se loucura insipiente) não quer dizer identificar estruturas de personalidade semelhantes. Há diversas estruturas diferentes, inclusive estruturas neuróticas ou com transtorno de caráter, que manifestam sintomas referidos como psicóticos.
Na abordagem psiquiátrica da intervenção precoce, estes são parte da queixa, e por isto são considerados sintomas. Mas eles dão também importância a sinais de estranhamento, comuns a pessoas que podem desenvolver sintomas psicóticos. Os sinais não chegam a ser sintomas psicóticos, e podem não ser precursores ou preditores. Resta saber, para a psiquiatria contemporânea, se eles podem ser agrupados em síndrome. Tem-se utilizado o termo pródromos para estes sinais e sintomas. São considerados precursores do espectro sindrômico de mais frágil conceituação, que é a psicose. Não espere que sua conceituação seja fácil. Psiquiatras na pesquisa sempre têm de partir de bases muito mal estruturadas para elaborar seus conceitos, já que são médicos e não podem contar com etiologias derivadas dos sistemas anatômicos ou da fisiologia.
Os psicanalistas nadam em construtos abstratos, e os lacanianos então, incompreensíveis. São de boa definição conceitual e operacional para os iniciados. Mas não dão respostas definitivas. Diferentes estruturas de personalidade apresentam manifestações comportamentais (sinais) e queixas (sintomas) semelhantes. Compreendê-los na especificidade não é verificar o que têm de mais semelhantes uns com os outros (como o faz a psiquiatria ao estruturar síndromes), mas o que têm de mais diferente e específico na individualidade.
Meu caminho, no entanto, é tomar parte do método psiquiátrico, o nomotético, mas na construção de uma constelação de SINAIS DE PERSONALIDADE presentes em um método projetivo que descreve o que estas pessoas têm, afinal, de semelhante. Estes sinais seriam compreendidos a partir de uma perspectiva psicanalítica de personalidade (Winnicott? Ambiente e processos de maturação? Teoria das relações objetais?) e a constelação pode levar à elaboração de estratégias de intervenção, tratamento e cuidado específicos para esta clientela. Ou para questões aonde a atenção deverá se direcionar, num primeiro momento, em programas que atendam esta clientela.
Claro que não existem blocos fechados de intervenções psicoterapêuticas, mas algumas sugestões sobre as especificidades de um grupo que compartilha semelhanças importantes (de alguma forma foram considerados loucos ou psicóticos) podem auxiliar na busca das idiossincrasias. Afinal, somos mais semelhantes do que diferentes, de fato, e a impossibilidade de encontrar estas semelhanças entre pessoas pode ser fator que influencia sobremaneira o isolamento e o retraimento (a loucura ou psicose).
No fim das contas, discordamos mais que nos entendemos. Quanto mais acumulamos conhecimento, mais nos confundimos. Mas assim caminha a humanidade.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Prodroms considerations from articles
"the experience of stressful events that exceed an individual's coping capacity, and/or the employment of inappropriate or ineffective coping strategies, may promote psychobiological changes that lead to the expression of psychotic symptoms *Nuechterlein & Dawson, 1984; Zubin and Spring, 1977)"
_____________________
"Furthermore, individuals with poor coping skills or inadequate coping resources might have an underlying vulnerability to the eventual development of psychosis (Hardesty, Falloon and Shirin, 1985; Lukoff, Snyder, Ventura and Nuechterlein, 1984; Marsella and Snyder, 1981; Norman and Malla, 1993; Rabkin, 1980)."
_____________________
DE ACORDO COM O DSM-IV, sintomas prodrômicos estão frequentemente presentes antes da fase ativa (...) e são formas relativamente menos graves ou subthreshold dos sintomas positivos especificados no critério A (alucinações e delírios). Indivíduos podem expressar uma variedade de crenças incomuns ou estranhas que não tem proporções deliroides, podem ter experiencias perceptivas incomuns, seu discurso pode ser geralmente compreensível mas digressivo, vago ou por demais abstrato ou concreto e seu comportamento pode ser peculiar mas não grosseiramente desorganizado. Em adição a estes sintomas do tipo positivo (positive-like) sintomas negativos são particularmente comuns na fase prodromica e podem frequentemente ser bastante severos. Individuos que eram socialmente ativos podem se tornar abstinentes, eles perdem interesse em atividades anteriormente consideradas prazerosas
_____________________
First, advocates of all three positions recognize that people who meet UHR/CHR/prodromal criteria are symptomatic and in need of clinical care.[7,9•,12•–14•] Second, it is acknowledged that they have a greatly increased risk of developing a psychotic disorder within a brief time frame.[2,4,14•] Third, that they need treatment for current problems and to prevent transition to psychotic disorder.[7,14•,15] Finally, proponents of the different positions also all recognize that there is potential for harm in including the Risk Syndrome in the DSM-5.[9•,12•,16•] The relative importance that they place on these issues is perhaps the source of their apparent polarized positions. The central issues will be considered.
http://www.medscape.com/viewarticle/736917_2
_____________________
Criteria thought to identify young people at risk of psychosis: investigation of the developmental process of psychosis (McGorry, Killackey and Yung, 2007).
_____________________
OTA, M., OBU, S., SATO, N., ASADA, T. (2011). Nstudy in subjects at high risk of psychosis revealed by the rorschach test and first-episode schizophrenia. Acta Neuropsychiatrica, 23:125-131.
"Clinical high risk for schizophrenia but who did not fulfill the schizophrenia criteria. Patients showing the presence of at least one of the following symptoms were tested with the Rorschach test: ideas of reference, magical thinking, perceptual disturbance, paranoid ideation, odd thinking and speech. The individual PTI was scored, and a score of >=1 was regarded as showing perceptual disturbance (Ilonen, 2010)" (p. 126).
6 - PACE criteria for high risk
Yung A. R., Phillips L. J., McGorry P. D. (1999). Prediction of psychosis: a step towards indicated prevention of schizophrenia. Br J Psychiatry. 172:14–20.
12, 13 - PTI differential diagnosis
Exner, J. E. (2000). A primer for Rorschach interpretation.
Asheville, NC: Rorschach Workshop.
Exner, J. E. (2000). 2000 alumni newsletter. Asheville, NC:
Rorschach Workshops.
14 - reliability and validity of PTI
Miller, T. J., McGlashan, T. H., Rosen, J. L. (2002). Prospective diagnosis of the initial prodrome for schizophrenia based on the structured interview of for prodromal syndromes: preliminary evidence of interrater reliability and predictive validity. Am J Psychiatry 159:863–865.
15 - Structured Interview for Prodromal symptoms/ Scale of Prodromal Symptoms
Dao, T. K., Prevatt, F. A. (2006). Psychometric evaluation of the Rorschach comprehensive system’s perceptual thinking index. J Pers Assess 86:180–189.
16 - Ilonen et al, PTI differentiates CHR and non-psychotic
visual form perception (X-% and FQ-): group 1: attenuated psychotic symptoms of PACE criteria. Patients without delusion, hallucination or catatonic behavior, but at high-risk mental state for shizophrenia.
Ilonen, T., Heinimaa, M., Korkeila, J., Svirskis, T., Salokangas, R. K. (2010). Differentiating adolescents at clinical high risk for psychosis from psychotic and non-psychotic patients with the Rorschach. Psychiatry Res. 179: 151–156.
_____________________
Gooding, C. D., Coleman, M. J., Roberts, S. A., Shenton, M. E., Levy, D. L., Erlenmeyer-Kimling, L. (2010). Thought Disorder in Offspring of Schizophrenic Parents: Findings From the New York High-Risk Project. Schizophrenia Bulletin, June 16. doi:10.1093/schbul/sbq061
high risk of schizophrenia=offpring of parents with schizophrenia
TDI, Idiosyncratic Verbalizations
"New YorkHigh-Risk Project (NYHRP), a longitudinal prospective study in which initially unaffected and untreated offspring of schizophrenic parents, parents with major affective disorders, and parents without such disorders were followed from mid-childhood
through mid-adulthood. Major goals of the NYHRP as a whole were to identify neurobiological and other types of deficits as likely predictors and to establish some of these deficits as endophenotypes indicating genetic liability. As subjects in the NYHRP are past the peak risk ages and approximately 14% of the high-risk subjects have developed schizophrenia or related psychoses, it is now possible to consider the predictive as well as endophenotypic status of a broad range of the variables assessed at earlier ages. Several predictors, probably reflecting genetic susceptibility to schizophrenia, have already been demonstrated among measures in the NYHRP, including attentional dysfunction, comparatively poor working memory, and disruptions in gross
motor performance".
"Clinically unaffected first-degree relatives of schizophrenia patients exhibit significantly more TD than healthy controls".
Doesn´t especify whether cited studies use the same criterion for high-risk
Doesn´t specify what criteria used for diagnosis of psychosis/schizophrenia
Used outdated measure of RO (TDI???)
Doesn´t differentiate high-risk, preschizophrenic, at-risk for schizophrenia,
"If, as Meehl asserted, cognitive slippage serves as a phenotypic indicator of an underlying integrative neural defect (‘‘schizotaxia’’) that characterizes individuals with a heightened liability for developing schizophrenia, then offspring of schizophrenic parents as a group would be expected to show greater levels of cognitive slippage".
*4-card RORSCHACH TEST!!!!!!!!!!*
Carpenter JT, Coleman MJ, Waternaux CM, et al. The Thought Disorder Index: short-form assessments. Psychol Assess. 1993;5:75–80.
_____________________
Se consideramos que a psicose é uma instância sindrômica duvidosa, e que a esquizofrenia é um construto cientificamente impossível, não podemos com certeza dizer que uma pessoa irá ficar psicótica, ou desenvolverá "esquizofrenia". Neste sentido, tampouco nos é claro um conceito como o de pródromos.
HIPOTESE: com os clientes do GIPSI, ao contrário de um transtorno esquizoafetivo, verificam-se longos períodos de transtorno afetivo subthreshold que chegam a um ponto de estranhamento e retraimento social que é psychosis subthreshold também. A intervenção precoce pode prevenir o degringolamento de maiores crinificações psicóticas, o que traz o transforno afetivo que está underlying os sintomas psicóticos. E eles ficam normais e entediados depois de pararem de ouvir as vozes - é aí que recebem alta. A dissertação da Wal indica incidência de comprometimento afetivo, mais do que transtorno psicótico, embora SINTOMATOLOGICAMENTE estas pessoas tenham sido identificadas como psicóticas. O que faz uma pessoa identificar a outra como psicótica? A gravidade do estranhamento, por mais subthreshold para a psiquiatria. A cronificação é um encaminhar-se para o threshold e para o diagnóstico. O paradigma internacional encaminha-se para uma classificação com thresholds mais baixos, para facilitar o diagnóstico e a farmacoterapia ("it may be justifiable to target these individuals for intensive monitoring of mental state and even low-dose neuroleptic medication or other biological and psychosocial treatments depending on clinical condition" (Yung et cols., ). Nevertheless, to target suffering individuals, who elaborate demand for clinic care, is to develop new labels and new stigmatization (you´re not
schizophrenic - YET). To recognize that prodroms are symptoms (high risk of psychosis) and demand for health care - even though prodromal phase may never evolve into psychosis (and even believing that psychosis is such a confusingly defined syndrom that can be abandoned as well as its psychiatric diagnosis, and understanding that traditional psychiatry knows nothing about human development of their own angst, which is part of themselves and although may request for health care, cannot be extinguished)
Consideramos que a esquizofrenia é uma construção do tratamento tradicional da psiquiatria, e o que existe é um sofrimento psíquico grave, verificável por sinais do tipo psicótico. Este sinais seriam caracterizados por:
-serem de difícil manejo (Costa, 2003)
-indicarem um estranhamento (?)
Costa 2003 fala que o sofrimento psíquico grave é "toda manifestação aguda da angústia humana (...) que não é - ou não tem sido - bem compreendida pelos demais. (...) Não se trata aqui de negar que esista esta diferença radical, "bizarra" para muitos, mas antes de tentar resgatar, pela crítica analítica da linguagem, o espaço necessário para que a diferença como tal se revele e pernameça passível de múltiplas abordagens. (...) não existe a esquizofrenia, o que nao sifinifica dizer que não existam as pessoas demonimadas de esquizofrênicas"
Então o que diferencia os CDI+quaseDEPI e os PTI=3 dos neuróticos chatos pra quem a gente dá alta do gipsi?
O Rorschach subsidiando os achados sobre loucura relacional~~ - que a Yung fala de vulnerabilidade ao estresse e dificuldades de coping - e não consegue relacionar com número de eventos estressantes (até porque pessoas em uhr não tem EVENTOS DE VIDA) - acho que é porque ela desconsidera o AMADURECIMENTO destas pessoas inseridas em seus contextos familiares. A experiência de perda e de estresse de uma pessoa edipiana é certamente diferente de uma pré-edipiana e é por ficarem na superfície do fenômeno que os comportamentalistas pecam - e não me seduzem.
Psicose (Campbell, 1986) é uma perturbação mental gave, retraidora afetiva e intelectualmente e regressiva.
DSM-IV INTRODUCTION OF SCHIZOPHRENIA AND OTHER PSYCHOTIC SPECTRUM DISORDERS
O DSM-IV agupa a esquizofrenia e transtornos do espectro psicótico, mas alerta que isto foi feito para "facilitar o diagnóstico diferencial dos transtornos que incluem sintomas psicóticos como aspecto proeminente de sua apresentação". No entanto, "sintomas psicóticos não são necessariamente considerados os aspectos centrais ou fundamentais destes transtornos, nem os transtornos nesta seção tem necessariamente uma etiologia em comum".
A definição mais estreita de psicótico é restrita a delírios ou alucinações proeminentes, com alucinações ocorrendo na ausência de insight sobre sua natureza patológica. Uma definição menos restritiva também inclui alucinações proeminentes que o indivíduo reconhece como experiências alucinatórias. Mais ampla é a definição que também inclui outros sintomas positivos da esquizofrenia (fala desorganizada, comportamento grosseiramente desorganizado ou catatônico). Diferentes destas definições embasadas em sintomas, definições utilizadas em classificações anteriores eram provavelmente muito inclusivas e enfocavam na severidade do comprometimento funcional. (...) Neste manual, o termo psycótico refere à presença de certos sintomas. No entanto, a constelação específica de sintomas a qual o termo se refere varia em algum grau atraves das categorias diagnósticas. Na ESQUIZOFRENIA, TRANSTORNO ESQUIZOFRENIFORME, TRANSTORNO ESQUIZOAFETIVO E BREVE TRANSTORNO PSICÓTICO, o termo psicótico se refere a delírios, qualquer alucinação proeminente, fala desorganizada ou comportamento desorganizado ou catatônico.
No TRANSTORNO PSICÓTICO DEVIDO A UMA CONDIÇÃO MÉDICA GERAL e no TRANSTORNO PSICÓTICO DEVIDO INDUZIDO POR SUBSTÂNCIA, psicótico refere a delírios e somente alucinações não acompanhadas por insight.
No TRANSTORNO DELIROIDE e no TRANSTORNO PSICÓTICO COMPARTILHADO, psicótico é equivalente a deliroide.
É fácil diagnosticar as pessoas pelo DSM-IV:
-esquizofrenia é um transtorno que dura ao menos 6 meses (critério C) e inclui ao menos 1 mês de sintomas ativos (>1 sintomas psicóticos (positivos ou negativos) ou delírio bizarro/alucinação auditiva - critério A). É disfuncional social ou ocupacionalmente (critério B) e não tem causação orgânica específica (critério E) ou é precedido por transtorno de humor (critério D). Constelação de sintomas e sinais associados com comprometimento funcional;
-transtorno esquizofreniforme é apresentação sintomática semelhante à esquizofrenia que dura de 1 a 6 meses e em que não há declínio no funcionamento
-transtorno esquizoafetivo é apresentação de episódio de transtorno de humor na fase ativa dos sintomas de esquizofrenia, precedido ou seguido por ao menos duas demanas de delírios ou alucinações sem sintomas de humor.
-transtorno deliroide é 1 mês de delírios não bizarros sem fase ativa da esquizofrenia (delírios não bizarros são algo plausíveis e compreensíveis, devido a experiências de vida do indivíduo, mas ainda assim são de difícil compreensão e não diminuem sua convicção a despeito de evidências contraditórias)
-transtorno psicótico breve dura mais do que 1 dia e tem remissão em 1 mês.
acho que a maior parte dos clientes do gipsi começaram com transtorno psicótico breve e evoluíram para transtorno esquizofreniforme, transtorno esquizoafetivo e esquizofrenia (e.g. JAL) ao alcançarem 6 meses de DUP.
IMPLICAÇÕES ÉTICAS DE PESQUISAR FALSOS POSITIVOS NA FASE PRODRÔMICA: avaliar e não oferecer tratamento, para verificar se vão evoluir ou não para psicose?
It has not been used traditional psychosis scales (PANSS...), since PTI had been validated as sensitive and specific for psychosis spectrum disorders.
Alison R. Yung , Lisa J. Phillips , Hok Pan Yuen and Patrick D. McGorry (2004). Risk factors for psychosis in an ultra high-risk group: psychopathology and clinical features. Schizophrenia Research, 67 (2-3), apr. 2004, pp. 131-142.
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"Furthermore, individuals with poor coping skills or inadequate coping resources might have an underlying vulnerability to the eventual development of psychosis (Hardesty, Falloon and Shirin, 1985; Lukoff, Snyder, Ventura and Nuechterlein, 1984; Marsella and Snyder, 1981; Norman and Malla, 1993; Rabkin, 1980)."
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DE ACORDO COM O DSM-IV, sintomas prodrômicos estão frequentemente presentes antes da fase ativa (...) e são formas relativamente menos graves ou subthreshold dos sintomas positivos especificados no critério A (alucinações e delírios). Indivíduos podem expressar uma variedade de crenças incomuns ou estranhas que não tem proporções deliroides, podem ter experiencias perceptivas incomuns, seu discurso pode ser geralmente compreensível mas digressivo, vago ou por demais abstrato ou concreto e seu comportamento pode ser peculiar mas não grosseiramente desorganizado. Em adição a estes sintomas do tipo positivo (positive-like) sintomas negativos são particularmente comuns na fase prodromica e podem frequentemente ser bastante severos. Individuos que eram socialmente ativos podem se tornar abstinentes, eles perdem interesse em atividades anteriormente consideradas prazerosas
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First, advocates of all three positions recognize that people who meet UHR/CHR/prodromal criteria are symptomatic and in need of clinical care.[7,9•,12•–14•] Second, it is acknowledged that they have a greatly increased risk of developing a psychotic disorder within a brief time frame.[2,4,14•] Third, that they need treatment for current problems and to prevent transition to psychotic disorder.[7,14•,15] Finally, proponents of the different positions also all recognize that there is potential for harm in including the Risk Syndrome in the DSM-5.[9•,12•,16•] The relative importance that they place on these issues is perhaps the source of their apparent polarized positions. The central issues will be considered.
http://www.medscape.com/viewarticle/736917_2
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Criteria thought to identify young people at risk of psychosis: investigation of the developmental process of psychosis (McGorry, Killackey and Yung, 2007).
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OTA, M., OBU, S., SATO, N., ASADA, T. (2011). Nstudy in subjects at high risk of psychosis revealed by the rorschach test and first-episode schizophrenia. Acta Neuropsychiatrica, 23:125-131.
"Clinical high risk for schizophrenia but who did not fulfill the schizophrenia criteria. Patients showing the presence of at least one of the following symptoms were tested with the Rorschach test: ideas of reference, magical thinking, perceptual disturbance, paranoid ideation, odd thinking and speech. The individual PTI was scored, and a score of >=1 was regarded as showing perceptual disturbance (Ilonen, 2010)" (p. 126).
6 - PACE criteria for high risk
Yung A. R., Phillips L. J., McGorry P. D. (1999). Prediction of psychosis: a step towards indicated prevention of schizophrenia. Br J Psychiatry. 172:14–20.
12, 13 - PTI differential diagnosis
Exner, J. E. (2000). A primer for Rorschach interpretation.
Asheville, NC: Rorschach Workshop.
Exner, J. E. (2000). 2000 alumni newsletter. Asheville, NC:
Rorschach Workshops.
14 - reliability and validity of PTI
Miller, T. J., McGlashan, T. H., Rosen, J. L. (2002). Prospective diagnosis of the initial prodrome for schizophrenia based on the structured interview of for prodromal syndromes: preliminary evidence of interrater reliability and predictive validity. Am J Psychiatry 159:863–865.
15 - Structured Interview for Prodromal symptoms/ Scale of Prodromal Symptoms
Dao, T. K., Prevatt, F. A. (2006). Psychometric evaluation of the Rorschach comprehensive system’s perceptual thinking index. J Pers Assess 86:180–189.
16 - Ilonen et al, PTI differentiates CHR and non-psychotic
visual form perception (X-% and FQ-): group 1: attenuated psychotic symptoms of PACE criteria. Patients without delusion, hallucination or catatonic behavior, but at high-risk mental state for shizophrenia.
Ilonen, T., Heinimaa, M., Korkeila, J., Svirskis, T., Salokangas, R. K. (2010). Differentiating adolescents at clinical high risk for psychosis from psychotic and non-psychotic patients with the Rorschach. Psychiatry Res. 179: 151–156.
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Gooding, C. D., Coleman, M. J., Roberts, S. A., Shenton, M. E., Levy, D. L., Erlenmeyer-Kimling, L. (2010). Thought Disorder in Offspring of Schizophrenic Parents: Findings From the New York High-Risk Project. Schizophrenia Bulletin, June 16. doi:10.1093/schbul/sbq061
high risk of schizophrenia=offpring of parents with schizophrenia
TDI, Idiosyncratic Verbalizations
"New YorkHigh-Risk Project (NYHRP), a longitudinal prospective study in which initially unaffected and untreated offspring of schizophrenic parents, parents with major affective disorders, and parents without such disorders were followed from mid-childhood
through mid-adulthood. Major goals of the NYHRP as a whole were to identify neurobiological and other types of deficits as likely predictors and to establish some of these deficits as endophenotypes indicating genetic liability. As subjects in the NYHRP are past the peak risk ages and approximately 14% of the high-risk subjects have developed schizophrenia or related psychoses, it is now possible to consider the predictive as well as endophenotypic status of a broad range of the variables assessed at earlier ages. Several predictors, probably reflecting genetic susceptibility to schizophrenia, have already been demonstrated among measures in the NYHRP, including attentional dysfunction, comparatively poor working memory, and disruptions in gross
motor performance".
"Clinically unaffected first-degree relatives of schizophrenia patients exhibit significantly more TD than healthy controls".
Doesn´t especify whether cited studies use the same criterion for high-risk
Doesn´t specify what criteria used for diagnosis of psychosis/schizophrenia
Used outdated measure of RO (TDI???)
Doesn´t differentiate high-risk, preschizophrenic, at-risk for schizophrenia,
"If, as Meehl asserted, cognitive slippage serves as a phenotypic indicator of an underlying integrative neural defect (‘‘schizotaxia’’) that characterizes individuals with a heightened liability for developing schizophrenia, then offspring of schizophrenic parents as a group would be expected to show greater levels of cognitive slippage".
*4-card RORSCHACH TEST!!!!!!!!!!*
Carpenter JT, Coleman MJ, Waternaux CM, et al. The Thought Disorder Index: short-form assessments. Psychol Assess. 1993;5:75–80.
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Se consideramos que a psicose é uma instância sindrômica duvidosa, e que a esquizofrenia é um construto cientificamente impossível, não podemos com certeza dizer que uma pessoa irá ficar psicótica, ou desenvolverá "esquizofrenia". Neste sentido, tampouco nos é claro um conceito como o de pródromos.
HIPOTESE: com os clientes do GIPSI, ao contrário de um transtorno esquizoafetivo, verificam-se longos períodos de transtorno afetivo subthreshold que chegam a um ponto de estranhamento e retraimento social que é psychosis subthreshold também. A intervenção precoce pode prevenir o degringolamento de maiores crinificações psicóticas, o que traz o transforno afetivo que está underlying os sintomas psicóticos. E eles ficam normais e entediados depois de pararem de ouvir as vozes - é aí que recebem alta. A dissertação da Wal indica incidência de comprometimento afetivo, mais do que transtorno psicótico, embora SINTOMATOLOGICAMENTE estas pessoas tenham sido identificadas como psicóticas. O que faz uma pessoa identificar a outra como psicótica? A gravidade do estranhamento, por mais subthreshold para a psiquiatria. A cronificação é um encaminhar-se para o threshold e para o diagnóstico. O paradigma internacional encaminha-se para uma classificação com thresholds mais baixos, para facilitar o diagnóstico e a farmacoterapia ("it may be justifiable to target these individuals for intensive monitoring of mental state and even low-dose neuroleptic medication or other biological and psychosocial treatments depending on clinical condition" (Yung et cols., ). Nevertheless, to target suffering individuals, who elaborate demand for clinic care, is to develop new labels and new stigmatization (you´re not
schizophrenic - YET). To recognize that prodroms are symptoms (high risk of psychosis) and demand for health care - even though prodromal phase may never evolve into psychosis (and even believing that psychosis is such a confusingly defined syndrom that can be abandoned as well as its psychiatric diagnosis, and understanding that traditional psychiatry knows nothing about human development of their own angst, which is part of themselves and although may request for health care, cannot be extinguished)
Consideramos que a esquizofrenia é uma construção do tratamento tradicional da psiquiatria, e o que existe é um sofrimento psíquico grave, verificável por sinais do tipo psicótico. Este sinais seriam caracterizados por:
-serem de difícil manejo (Costa, 2003)
-indicarem um estranhamento (?)
Costa 2003 fala que o sofrimento psíquico grave é "toda manifestação aguda da angústia humana (...) que não é - ou não tem sido - bem compreendida pelos demais. (...) Não se trata aqui de negar que esista esta diferença radical, "bizarra" para muitos, mas antes de tentar resgatar, pela crítica analítica da linguagem, o espaço necessário para que a diferença como tal se revele e pernameça passível de múltiplas abordagens. (...) não existe a esquizofrenia, o que nao sifinifica dizer que não existam as pessoas demonimadas de esquizofrênicas"
Então o que diferencia os CDI+quaseDEPI e os PTI=3 dos neuróticos chatos pra quem a gente dá alta do gipsi?
O Rorschach subsidiando os achados sobre loucura relacional~~ - que a Yung fala de vulnerabilidade ao estresse e dificuldades de coping - e não consegue relacionar com número de eventos estressantes (até porque pessoas em uhr não tem EVENTOS DE VIDA) - acho que é porque ela desconsidera o AMADURECIMENTO destas pessoas inseridas em seus contextos familiares. A experiência de perda e de estresse de uma pessoa edipiana é certamente diferente de uma pré-edipiana e é por ficarem na superfície do fenômeno que os comportamentalistas pecam - e não me seduzem.
Psicose (Campbell, 1986) é uma perturbação mental gave, retraidora afetiva e intelectualmente e regressiva.
DSM-IV INTRODUCTION OF SCHIZOPHRENIA AND OTHER PSYCHOTIC SPECTRUM DISORDERS
O DSM-IV agupa a esquizofrenia e transtornos do espectro psicótico, mas alerta que isto foi feito para "facilitar o diagnóstico diferencial dos transtornos que incluem sintomas psicóticos como aspecto proeminente de sua apresentação". No entanto, "sintomas psicóticos não são necessariamente considerados os aspectos centrais ou fundamentais destes transtornos, nem os transtornos nesta seção tem necessariamente uma etiologia em comum".
A definição mais estreita de psicótico é restrita a delírios ou alucinações proeminentes, com alucinações ocorrendo na ausência de insight sobre sua natureza patológica. Uma definição menos restritiva também inclui alucinações proeminentes que o indivíduo reconhece como experiências alucinatórias. Mais ampla é a definição que também inclui outros sintomas positivos da esquizofrenia (fala desorganizada, comportamento grosseiramente desorganizado ou catatônico). Diferentes destas definições embasadas em sintomas, definições utilizadas em classificações anteriores eram provavelmente muito inclusivas e enfocavam na severidade do comprometimento funcional. (...) Neste manual, o termo psycótico refere à presença de certos sintomas. No entanto, a constelação específica de sintomas a qual o termo se refere varia em algum grau atraves das categorias diagnósticas. Na ESQUIZOFRENIA, TRANSTORNO ESQUIZOFRENIFORME, TRANSTORNO ESQUIZOAFETIVO E BREVE TRANSTORNO PSICÓTICO, o termo psicótico se refere a delírios, qualquer alucinação proeminente, fala desorganizada ou comportamento desorganizado ou catatônico.
No TRANSTORNO PSICÓTICO DEVIDO A UMA CONDIÇÃO MÉDICA GERAL e no TRANSTORNO PSICÓTICO DEVIDO INDUZIDO POR SUBSTÂNCIA, psicótico refere a delírios e somente alucinações não acompanhadas por insight.
No TRANSTORNO DELIROIDE e no TRANSTORNO PSICÓTICO COMPARTILHADO, psicótico é equivalente a deliroide.
É fácil diagnosticar as pessoas pelo DSM-IV:
-esquizofrenia é um transtorno que dura ao menos 6 meses (critério C) e inclui ao menos 1 mês de sintomas ativos (>1 sintomas psicóticos (positivos ou negativos) ou delírio bizarro/alucinação auditiva - critério A). É disfuncional social ou ocupacionalmente (critério B) e não tem causação orgânica específica (critério E) ou é precedido por transtorno de humor (critério D). Constelação de sintomas e sinais associados com comprometimento funcional;
-transtorno esquizofreniforme é apresentação sintomática semelhante à esquizofrenia que dura de 1 a 6 meses e em que não há declínio no funcionamento
-transtorno esquizoafetivo é apresentação de episódio de transtorno de humor na fase ativa dos sintomas de esquizofrenia, precedido ou seguido por ao menos duas demanas de delírios ou alucinações sem sintomas de humor.
-transtorno deliroide é 1 mês de delírios não bizarros sem fase ativa da esquizofrenia (delírios não bizarros são algo plausíveis e compreensíveis, devido a experiências de vida do indivíduo, mas ainda assim são de difícil compreensão e não diminuem sua convicção a despeito de evidências contraditórias)
-transtorno psicótico breve dura mais do que 1 dia e tem remissão em 1 mês.
acho que a maior parte dos clientes do gipsi começaram com transtorno psicótico breve e evoluíram para transtorno esquizofreniforme, transtorno esquizoafetivo e esquizofrenia (e.g. JAL) ao alcançarem 6 meses de DUP.
IMPLICAÇÕES ÉTICAS DE PESQUISAR FALSOS POSITIVOS NA FASE PRODRÔMICA: avaliar e não oferecer tratamento, para verificar se vão evoluir ou não para psicose?
It has not been used traditional psychosis scales (PANSS...), since PTI had been validated as sensitive and specific for psychosis spectrum disorders.
Alison R. Yung , Lisa J. Phillips , Hok Pan Yuen and Patrick D. McGorry (2004). Risk factors for psychosis in an ultra high-risk group: psychopathology and clinical features. Schizophrenia Research, 67 (2-3), apr. 2004, pp. 131-142.
Marcadores:
CHR,
DSM,
esquizofrenia,
objeto,
pródromo,
psicodiagnóstico,
psicose,
referência bibliográfica,
risk syndrome,
Rorschach,
síndrome,
sintomas,
UHR
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Estudo sobre pródromos
Estudos sobre o delineamento da pesquisa enfocam a importância de definir com rigor as questões iniciais - a partir delas, serão delineadas todas as etapas posteriores (método de coleta ou construção de dados, de análise, perspectiva da conclusão etc). Por mais que minha querida supervisora tenha dito que estas são questões que seguirão por toda uma carreira científica, eu gostaria de fortalecer o máximo possível minhas considerações teóricas, minhas escolhas.
Uma das questões importantes é o objetivo da pesquisa e os construtos a serem investigados. Estou questionando a descrição operacional de pródromos, não sei se gosto deste conceito.
Estudos interessantes que li hoje...
"Initial onset of psychotic symptoms often seems to be related to an inability to generate alternative (culturally acceptable)explanations,frequently due to a lack of trusting or supportive social relationships that would facilitate the normallization of such interpretations". (acredita que eu perdi a referência deste artigo?? aff ¬¬)
Behavioral cognitive therapeuts making me feel proud!
But not so fast...
Addington, Jean & Mancuso, Enza. (2009) Cognitive-Behavioral Therapy for Individuals at High Risk of Developing Psychosis. Journal of Clinical Psychology: In Session, vol. 65(8), 879-890. TORONTO
"CHR for psychosis: recent-onset functional decline plus genetic risk, recent-onset subthreshold, or brief-threshold psychotic symptoms (Yung & McGorry, 1996).
The reliability of these criteria has been excellent, and studies using these criteria support the view that prodromal people are symptomatic and at high and imminent risk for psychosis (Cannon et al., 2008)".
Psychiatists... It´s likely that psychiatrists from Australia, Canada, Switzerland - all international great centers for "first psychotic-like crises" (if such a term applies for them) are from cognitive-approach-psichiatrists.
So say the center from Australia:
Risk factors for psychosis in an ultra high-risk group: psychopathology and clinical features
Alison R. Yung , Lisa J. Phillips , Hok Pan Yuen and Patrick D. McGorry
Department of Psychiatry, University of Melbourne and ORYGEN Research Centre, Australia
Schizophrenia Research
Volume 67, Issues 2-3, 1 April 2004, Pages 131-142
Abstract
The identification of individuals at high risk of developing a psychotic disorder has long been a goal of clinicians because it is thought that early treatment of this group may prevent onset of the disorder. However, little is known of predictive factors of psychosis, even within a high-risk group. This study followed up 104 young people thought to be at ‘ultra high risk’ for schizophrenia and other psychotic disorders by virtue of having a family history of psychotic disorder combined with some functional decline or the presence of subthreshold or self-limiting psychotic symptoms. All subjects were therefore symptomatic, but not psychotic, at intake. Thirty-six subjects (34.6%) developed frank psychotic symptoms within 12 months.
Measures of symptom duration, functioning, disability and psychopathology were made at intake, 6 and 12 months. Poor functioning, long duration of symptoms, high levels of depression and reduced attention were all predictors of psychosis. A combination of family history of psychosis, a recent significant decrease in functioning and recent experience of subthreshold psychotic symptoms was also predictive of psychosis. Combining highly predictive variables yielded a method of psychosis prediction at 12 months with good positive predictive value (80.8%), negative predictive value (81.8%) and specificity (92.6%) and moderate sensitivity (60.0%).
Within our symptomatic high-risk group, therefore, it appears possible to identify those individuals who are at particularly high risk of developing a psychotic disorder such as schizophrenia. Given the very high PPV and low false positive rate with this two-step process, it may be justifiable to target these individuals for intensive monitoring of mental state and even low-dose neuroleptic medication or other biological and psychosocial treatments depending on clinical condition. This indicated prevention approach could be further developed and preventive strategies in the psychoses refined.
Author Keywords: Author Keywords: Psychosis; Schizophrenia; Prevention; Prediction; High-risk; Prodrome.
Psychosis prediction: 12-month follow up of a high-risk (“prodromal”) group
Alison R. Yung, Lisa J. Phillipsa, Hok Pan Yuen, Shona M. Francey, Colleen A. McFarlane, Mats Hallgren and Patrick D. McGorry.
Department of Psychiatry, University of Melbourne, Parkville, Victoria, Australia
PACE Clinic, Parkville, Victoria, Australia
Youth Program, Mental Health Services for Kids and Youth (MHSKY), Locked Bag 10, Parkville, Victoria 3052, Australia
Schizophrenia Research
Volume 60, Issue 1, 1 March 2003, Pages 21-32
Abstract
Intervention in the prodromal phase of schizophrenia and related psychoses may result in attenuation, delay or even prevention of the onset of psychosis in some individuals. However, a “prodrome” is difficult to recognise prospectively because of its nonspecific symptoms.
This study set out to recruit and follow up subjects at high risk of transition to psychosis with the aim of examining the predictive power for psychosis onset of certain mental state and illness variables.
Symptomatic individuals with either a family history of psychotic disorder, schizotypal personality disorder, subthreshold psychotic symptoms or brief transient psychotic symptoms were assessed and followed up monthly for 12 months or until psychosis onset.
Twenty of 49 subjects (40.8%) developed a psychotic disorder within 12 months. Some highly significant predictors of psychosis were found: long duration of prodromal symptoms, poor functioning at intake, low-grade psychotic symptoms, depression and disorganization. Combining some predictive variables yielded a strategy for psychosis prediction with good sensitivity (86%), specificity (91%) positive predictive value (80%) and negative predictive value (94%) within 6 months.
This study illustrates that it is possible to recruit and follow up individuals at ultra high risk of developing psychosis within a relatively brief follow-up period. Despite low numbers some highly significant predictors of psychosis were found. The findings support the development of more specific preventive strategies targeting the prodromal phase for some individuals at ultra high risk of schizophrenia.
Author Keywords: Psychosis; Schizophrenia; Prevention; Prediction; High risk; Prodrome
Considerações em áudio sobre os "pródromos" encontrados no GIPSI.
https://dl-web.dropbox.com/get/Voice001.amr?w=d9428a03
https://dl-web.dropbox.com/get/Voice002.amr?w=c9232eac
https://dl-web.dropbox.com/get/Voice003.amr?w=848ae230
Pensando pensando pensando.
Uma das questões importantes é o objetivo da pesquisa e os construtos a serem investigados. Estou questionando a descrição operacional de pródromos, não sei se gosto deste conceito.
Estudos interessantes que li hoje...
"Initial onset of psychotic symptoms often seems to be related to an inability to generate alternative (culturally acceptable)explanations,frequently due to a lack of trusting or supportive social relationships that would facilitate the normallization of such interpretations". (acredita que eu perdi a referência deste artigo?? aff ¬¬)
Behavioral cognitive therapeuts making me feel proud!
But not so fast...
Addington, Jean & Mancuso, Enza. (2009) Cognitive-Behavioral Therapy for Individuals at High Risk of Developing Psychosis. Journal of Clinical Psychology: In Session, vol. 65(8), 879-890. TORONTO
"CHR for psychosis: recent-onset functional decline plus genetic risk, recent-onset subthreshold, or brief-threshold psychotic symptoms (Yung & McGorry, 1996).
The reliability of these criteria has been excellent, and studies using these criteria support the view that prodromal people are symptomatic and at high and imminent risk for psychosis (Cannon et al., 2008)".
Psychiatists... It´s likely that psychiatrists from Australia, Canada, Switzerland - all international great centers for "first psychotic-like crises" (if such a term applies for them) are from cognitive-approach-psichiatrists.
So say the center from Australia:
Risk factors for psychosis in an ultra high-risk group: psychopathology and clinical features
Alison R. Yung , Lisa J. Phillips , Hok Pan Yuen and Patrick D. McGorry
Department of Psychiatry, University of Melbourne and ORYGEN Research Centre, Australia
Schizophrenia Research
Volume 67, Issues 2-3, 1 April 2004, Pages 131-142
Abstract
The identification of individuals at high risk of developing a psychotic disorder has long been a goal of clinicians because it is thought that early treatment of this group may prevent onset of the disorder. However, little is known of predictive factors of psychosis, even within a high-risk group. This study followed up 104 young people thought to be at ‘ultra high risk’ for schizophrenia and other psychotic disorders by virtue of having a family history of psychotic disorder combined with some functional decline or the presence of subthreshold or self-limiting psychotic symptoms. All subjects were therefore symptomatic, but not psychotic, at intake. Thirty-six subjects (34.6%) developed frank psychotic symptoms within 12 months.
Measures of symptom duration, functioning, disability and psychopathology were made at intake, 6 and 12 months. Poor functioning, long duration of symptoms, high levels of depression and reduced attention were all predictors of psychosis. A combination of family history of psychosis, a recent significant decrease in functioning and recent experience of subthreshold psychotic symptoms was also predictive of psychosis. Combining highly predictive variables yielded a method of psychosis prediction at 12 months with good positive predictive value (80.8%), negative predictive value (81.8%) and specificity (92.6%) and moderate sensitivity (60.0%).
Within our symptomatic high-risk group, therefore, it appears possible to identify those individuals who are at particularly high risk of developing a psychotic disorder such as schizophrenia. Given the very high PPV and low false positive rate with this two-step process, it may be justifiable to target these individuals for intensive monitoring of mental state and even low-dose neuroleptic medication or other biological and psychosocial treatments depending on clinical condition. This indicated prevention approach could be further developed and preventive strategies in the psychoses refined.
Author Keywords: Author Keywords: Psychosis; Schizophrenia; Prevention; Prediction; High-risk; Prodrome.
Psychosis prediction: 12-month follow up of a high-risk (“prodromal”) group
Alison R. Yung, Lisa J. Phillipsa, Hok Pan Yuen, Shona M. Francey, Colleen A. McFarlane, Mats Hallgren and Patrick D. McGorry.
Department of Psychiatry, University of Melbourne, Parkville, Victoria, Australia
PACE Clinic, Parkville, Victoria, Australia
Youth Program, Mental Health Services for Kids and Youth (MHSKY), Locked Bag 10, Parkville, Victoria 3052, Australia
Schizophrenia Research
Volume 60, Issue 1, 1 March 2003, Pages 21-32
Abstract
Intervention in the prodromal phase of schizophrenia and related psychoses may result in attenuation, delay or even prevention of the onset of psychosis in some individuals. However, a “prodrome” is difficult to recognise prospectively because of its nonspecific symptoms.
This study set out to recruit and follow up subjects at high risk of transition to psychosis with the aim of examining the predictive power for psychosis onset of certain mental state and illness variables.
Symptomatic individuals with either a family history of psychotic disorder, schizotypal personality disorder, subthreshold psychotic symptoms or brief transient psychotic symptoms were assessed and followed up monthly for 12 months or until psychosis onset.
Twenty of 49 subjects (40.8%) developed a psychotic disorder within 12 months. Some highly significant predictors of psychosis were found: long duration of prodromal symptoms, poor functioning at intake, low-grade psychotic symptoms, depression and disorganization. Combining some predictive variables yielded a strategy for psychosis prediction with good sensitivity (86%), specificity (91%) positive predictive value (80%) and negative predictive value (94%) within 6 months.
This study illustrates that it is possible to recruit and follow up individuals at ultra high risk of developing psychosis within a relatively brief follow-up period. Despite low numbers some highly significant predictors of psychosis were found. The findings support the development of more specific preventive strategies targeting the prodromal phase for some individuals at ultra high risk of schizophrenia.
Author Keywords: Psychosis; Schizophrenia; Prevention; Prediction; High risk; Prodrome
Considerações em áudio sobre os "pródromos" encontrados no GIPSI.
https://dl-web.dropbox.com/get/Voice001.amr?w=d9428a03
https://dl-web.dropbox.com/get/Voice002.amr?w=c9232eac
https://dl-web.dropbox.com/get/Voice003.amr?w=848ae230
Pensando pensando pensando.
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Problemáticas e problemáticas
Lendo o artigo da Elsa de Oliveira, e considerando as últimas aulas. Falei em aula hoje sobre o blog e sua característica intimista, me senti mais encorajada para vomitar com força, em vez de ficar só procurando forma. Afinal de contas, minha interlocução comigo mesma não me faz só tomar no cu. Fico falando e falando, e um jeito importante de lembrar as ideias que fogem é simplesmente jot them down.
O artigo fala da importancia da teoria desenvolvida por Winnicott para a clínica, apesar de nao haver a sistematização de uma técnica, assim como Freud o fez. Na perspectiva winnicottiana, os distúrbios mentais são caracterizados por falhas ambientais em alguma fase do amadurecimento do indivíduo. Quanto mais precoce esta falha, mais grave o distúrbio mental. Isto traz considerações importantes não somente para o manejo clínco, mas também para o psicodiagnóstico. Para Winnicott, se soubéssemos bem diagnosticar, economizaríamos muito desespero e sofrimento para nossos pacientes.
Minha inquietação é se Winnicott, Rorschach e McGorry dialogam. Pq a perspectiva internacional de intervenção precoce também pontua a importancia de bem avaliar para poder intervir com ferramentas sensíveis e específicas, e aqui eu consegui justificar a metodologia de avaliação como o Rorschach, por ser rápida e eficiente, faz sentido na IP.
Já com Winnicott, dava para forçar a barra e dizer que os achados anteriores demonstravam como as crises do tipo psicótica, por mais que não dissessem sempre sobre estruturas psicóticas, estão muito mais relacionadas a dificuldades ambientais, interrupções no desenvolvimento. Isto também é verdade na clínica do gipsi, e é preciso atribuir a devida importância para o psicodiagnóstico adequado. Ai ai, nem assim ficou bom, ainda está muito forçado.
Psicodiagnóstico em Winnicott - O ambiente e os processos de maturação, as contribuições da psicanálise para a classificação psiquiátrica: neurose, depressão, tendência antissocial e psicose. Não sei se a (minha) compreensão das primeiras crises faz sentido com Winnicott. Sou do psicodiagnóstico estrutural e dinâmico, com a personalidade como contexto para a psicopatologia (nossa, sou bem mais Marcelo Tavares do que estou disposta a assumir). A interação da compreensão psiquiátrica das primeiras crises, com uma perspectiva mais psicanalítica (não necessariamente winnicottiana, porque é psicodinâmica). E o medo de pegar de winnicott só o que me faz sentido? Como fazer dialogar epistemologicamente Exner e Winnicott? E a questão da construção de política publica? E a constelação, isso ainda pode fazer sentido se eu partir do arcabouço teórico winnicottiano?
Um primeiro esboço sobre o objetivo da pesquisa:
O objetivo desta pesquisa é descrever e sistematizar aspectos estruturais e dinâmicos da personalidade de indivíduos em primeiras crises do tipo psicótico ou em fase prodrômica atendidos no gipsi, na construção de uma contelação psicodiagnóstica de pródromos.
nem sei se vou continuar com esta história de pródromos. a gente vai precisar de uma oficina metodológica só pra falar de novo sobre este conceito.
O que era antes:
O objetivo desta pesquisa é investigar, sob a ótica psicanalítica winnicottiana, dados dos protocolos de Rorschach de clientes em primeiras crises do tipo psicótica ou em fase prodrômica, atendidos pelo gipsi. Tem como objetivo específico a sistematização dos dados dos protocolos na construção de uma constelação prodrômica. A constelação teria por objetivo uma descrição específica das primeiras crises e usa compreensão sob o olhar winnicottiano, investigar em que medida pode desconstruir a consideração tradicional da psicose. O apriorismo vem do trabalho desenvolvido na cl=inica das primeiras crises no gipsi, a desconstrucao do conceito de esquisaobrenia feito por Szasz-Costa e o uso do Método de Rorschach em trabalhos anterirores, o qual pode identificar que os sujeitos não apresentam sinais clássicos de psicose. Tese da Nerícia, não sei o que aconteceu, mas parece que este trabalho vai demorar horrores, preciso que meu orientador me diga coisas neste sentido...
Continuo com a ideia de pródromos ou vou para as primeiras crises de fato? daí seria uma constelação de primeiras crises? É um aspecto dinâmico e funcional da persnalidade, já que não se trata de psicose instaurada, mas sim de um processo que pode "se reverter" com intervenções adequadas?
O que é psicose?
Como avaliar psicose?
O que são primeiras crises?
Como avaliar nas crises?
Nas primeiras crises, o estranhamento já estava presente anteriormente? Ou ele se torna agravado na medida em que as crises se repetem?
Descrever as primeiras crises pode levar a características comuns? Porque eu sempre achei um exagero ter que "construir uma psicoterapia para cada cliente". Até porque se a gente estuda desenvolvimento, ou no caso de Winnicott, amadurecimento, os apriores já existem, há expectativas muito grandes a respeito do bebê e de seu meio de desenvolvimento.
Estou quase dormindo aqui. Quando estiver melhor da cuca, eu continuo.
O artigo fala da importancia da teoria desenvolvida por Winnicott para a clínica, apesar de nao haver a sistematização de uma técnica, assim como Freud o fez. Na perspectiva winnicottiana, os distúrbios mentais são caracterizados por falhas ambientais em alguma fase do amadurecimento do indivíduo. Quanto mais precoce esta falha, mais grave o distúrbio mental. Isto traz considerações importantes não somente para o manejo clínco, mas também para o psicodiagnóstico. Para Winnicott, se soubéssemos bem diagnosticar, economizaríamos muito desespero e sofrimento para nossos pacientes.
Minha inquietação é se Winnicott, Rorschach e McGorry dialogam. Pq a perspectiva internacional de intervenção precoce também pontua a importancia de bem avaliar para poder intervir com ferramentas sensíveis e específicas, e aqui eu consegui justificar a metodologia de avaliação como o Rorschach, por ser rápida e eficiente, faz sentido na IP.
Já com Winnicott, dava para forçar a barra e dizer que os achados anteriores demonstravam como as crises do tipo psicótica, por mais que não dissessem sempre sobre estruturas psicóticas, estão muito mais relacionadas a dificuldades ambientais, interrupções no desenvolvimento. Isto também é verdade na clínica do gipsi, e é preciso atribuir a devida importância para o psicodiagnóstico adequado. Ai ai, nem assim ficou bom, ainda está muito forçado.
Psicodiagnóstico em Winnicott - O ambiente e os processos de maturação, as contribuições da psicanálise para a classificação psiquiátrica: neurose, depressão, tendência antissocial e psicose. Não sei se a (minha) compreensão das primeiras crises faz sentido com Winnicott. Sou do psicodiagnóstico estrutural e dinâmico, com a personalidade como contexto para a psicopatologia (nossa, sou bem mais Marcelo Tavares do que estou disposta a assumir). A interação da compreensão psiquiátrica das primeiras crises, com uma perspectiva mais psicanalítica (não necessariamente winnicottiana, porque é psicodinâmica). E o medo de pegar de winnicott só o que me faz sentido? Como fazer dialogar epistemologicamente Exner e Winnicott? E a questão da construção de política publica? E a constelação, isso ainda pode fazer sentido se eu partir do arcabouço teórico winnicottiano?
Um primeiro esboço sobre o objetivo da pesquisa:
O objetivo desta pesquisa é descrever e sistematizar aspectos estruturais e dinâmicos da personalidade de indivíduos em primeiras crises do tipo psicótico ou em fase prodrômica atendidos no gipsi, na construção de uma contelação psicodiagnóstica de pródromos.
nem sei se vou continuar com esta história de pródromos. a gente vai precisar de uma oficina metodológica só pra falar de novo sobre este conceito.
O que era antes:
O objetivo desta pesquisa é investigar, sob a ótica psicanalítica winnicottiana, dados dos protocolos de Rorschach de clientes em primeiras crises do tipo psicótica ou em fase prodrômica, atendidos pelo gipsi. Tem como objetivo específico a sistematização dos dados dos protocolos na construção de uma constelação prodrômica. A constelação teria por objetivo uma descrição específica das primeiras crises e usa compreensão sob o olhar winnicottiano, investigar em que medida pode desconstruir a consideração tradicional da psicose. O apriorismo vem do trabalho desenvolvido na cl=inica das primeiras crises no gipsi, a desconstrucao do conceito de esquisaobrenia feito por Szasz-Costa e o uso do Método de Rorschach em trabalhos anterirores, o qual pode identificar que os sujeitos não apresentam sinais clássicos de psicose. Tese da Nerícia, não sei o que aconteceu, mas parece que este trabalho vai demorar horrores, preciso que meu orientador me diga coisas neste sentido...
Continuo com a ideia de pródromos ou vou para as primeiras crises de fato? daí seria uma constelação de primeiras crises? É um aspecto dinâmico e funcional da persnalidade, já que não se trata de psicose instaurada, mas sim de um processo que pode "se reverter" com intervenções adequadas?
O que é psicose?
Como avaliar psicose?
O que são primeiras crises?
Como avaliar nas crises?
Nas primeiras crises, o estranhamento já estava presente anteriormente? Ou ele se torna agravado na medida em que as crises se repetem?
Descrever as primeiras crises pode levar a características comuns? Porque eu sempre achei um exagero ter que "construir uma psicoterapia para cada cliente". Até porque se a gente estuda desenvolvimento, ou no caso de Winnicott, amadurecimento, os apriores já existem, há expectativas muito grandes a respeito do bebê e de seu meio de desenvolvimento.
Estou quase dormindo aqui. Quando estiver melhor da cuca, eu continuo.
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